“Going natural” com as minhas plantas

Ultimamente ando muito ativa no que respeita a experimentar coisas que me aparecem nos feeds do Facebook. Desta vez andei pela cozinha, mas com o propósito da jardinagem de interior.

As plantas que tenho nas escadas precisavam de algum cuidado para além da rega habitual: umas precisavam de mais areia, outras de areia nova (a que tinha até então era demasiado barrenta e, de tempos a tempos, com a rega, acabava por ficar sempre muito compacta), outras de cortar as folhas velhas e uma precisava que separasse os rebentos para um vaso novo. Num dos vasos a precisar da troca de areia a flor estava um pouco fraca e, portanto, teria ainda mais essa intervenção.

Coincidência ou não, durante a semana apareceu-me nos feeds do Facebook um vídeo que alguém partilhou sobre um adubo natural caseiro (rico em cálcio e potássio, segundo o mesmo) que guardei para então experimentar no fim de semana, pois já previa reservar algum tempo para esta tarefa.

Borras de 5 cafés
Casca de 1 banana
Casca de 5 ovos
Água q.b.

No liquidificador coloquei a casca da banana, as borras do café, as cascas de ovo, a água e triturei o tempo suficiente para desfazer as cascas o mais finamente possível, reservando numa tigela.

Como me pareceu que tinha quantidade suficiente para mais do que um vaso, comecei pela flor mais fraca e depois passei aos vasos seguintes. Aproveitei que ia mexer e trocar as areias para colocar o adubo o mais perto das raízes, acabando também por misturá-lo com a areia.

Agora resta-me esperar para ver o comportamento e a reação das plantas a esta mudança, ficando a promessa, tal como aconteceu com as orquídeas, de partilhar o resultado (positivo, espero 😛 ).

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Oh Elvas, oh Elvas… Beringela finalmente à vista

Parei finalmente para escrever. Andei a preparar e a planear um passeio de três dias pelo Alentejo português e Estremadura espanhola, para o fim-de-semana passado, e reparei agora que ainda não tinha partilhado a receita da beringela no forno que fiz há semanas.

Sobre o passeio posso dizer que foram três dias de fuga à rotina, com muitos pontos e locais a visitar, com muita cultura à mistura e um sol e temperatura ambiente maravilhosos para visitar estas regiões (se tivesse sido esta semana estava bem tramada com a chuva). Da preparação do roteiro faziam parte a lista de locais a visitar e respectivas coordenadas, impressões da vista de satélite do Google Earth de cada localidade com os pontos de interesse marcados e pequenos textos explicativos do que iríamos ver, para entendermos e aproveitarmos melhor o que estávamos a visitar. Contudo, não previ horários específicos para cada local, pois a ideia era ir visitando e gerindo o ritmo, mas sem grandes pressões.

A estadia das duas noites foi na Quinta de Santo António, na herdade da Amoreira, em Elvas, um hotel rural que a todos superou as expectativas. O staff era impecavelmente simpático e, assim que fizemos o check-in, fizeram questão de nos mostrar todos os espaços do hotel. O quarto era bastante confortável e tinham acesso directo para os jardins exteriores e, juntamente com as salas comuns, estão decorados com um estilo antigo, perfeitamente enquadrado na arquitectura da quinta. Na manhã de domingo, depois do pequeno almoço, e antes do check-out, fomos conhecer melhor os jardins exteriores do hotel, com as fontes, os pomares, a zona dos pássaros, do forno a lenha, a zona da piscina e ainda encontrei o burro que de manhã “avisava” que o dia já estava a nascer.

Saímos, portanto, na Sexta-feira de manhã em direcção a Montemor-o-Novo, atravessando Pegões e Vendas Novas. Depois visitámos Arraiolos, Evoramonte, Estremoz e Borba, chegando por fim ao hotel.


No Sábado fomos até Mérida, onde andámos e andámos a pé (um pouco mais de 8 km ao todo), conseguimos ver quase tudo o que há no centro da cidade e, no regresso, visitámos ainda Badajoz.


No Domingo visitámos Elvas, Villaneuva Del Fresno (que era para ser só de passagem, mas estava a haver o festival dos cogumelos e parámos lá para almoçar), Aldeia da Luz, Monsaraz e daí seguimos directamente para casa. Tinha ainda previsto visitar Reguengos de Monsaraz, Portel, Viana do Alentejo e Alcáçovas no percurso de regresso a casa, mas como fomos “aproveitar” os espaços exteriores do hotel e parámos em Villaneuva Del Frenso, acabou por não haver tempo para tanto.

Foram três dias de completa fuga à rotina e que deram para recarregar baterias e encher-me de motivação para as coisas caseiras.

Tal como disse de início, com tudo isto saltei a publicação da receita da beringela que, num almoço de Sábado, acompanhou uma bela dourada grelhada, receita esta que encontrei num vídeo que alguém partilhou no Facebook.

1 beringela
6 colheres de sopa de azeite
2 dentes de alho picado
3 colheres de sopa de salsa picada
Sal e pimenta qb
Queijo ralado qb
1 colher de café de pimentão doce

Numa tigela misturei o azeite, o alho, a salsa, o sal e a pimenta e deixei repousar durante mais ou menos 15 minutos para aromatiza o azeite.

Fiz uns golpes na beringela (sem a trespassar na totalidade) numa malha quadrangular, envolvi-a em papel de alumínio (deixando a zona dos golpes destapada) e coloquei-a num tabuleiro para ir ao forno. Reguei a beringela com metade da mistura do azeite, especialmente entre cada golpe, recheie com queijo, polvilhei com o pimentão doce e reguei com o resto do azeite.

Por fim aconcheguei o papel de alumínio que envolvia a beringela, coloquei o tabuleiro no forno, pré-aquecido a 180ºC, durante uns 30 a 35 minutos (dependendo do tamanho da “malha” cortada na beringela poderá levar mais ou menos tempo a cozinhar) e servi com a dourada grelhada e as azeitonas caseiras da colheita deste ano.

Os trabalhos em atraso

Demorou, mas finalmente acabei. A prenda de anos da minha sobrinha (que já os celebrou há pouco mais de 2 meses) chegou finalmente ao destino. Claro que a data não passou sem que lhe oferecesse algo. A ideia era oferecer-lhe uma pequena moldura e uma caixa, ambas de madeira e pintadas por mim, para guardar os muitos laços para o cabelo que ela tem. Contudo, com o aproximar da data comecei a ver que não ia ter a caixa pronta e por isso acabei por lhe oferecer apenas a moldura.

Agora ficou finalmente pronta. Desta vez não só usei a técnica do guardanapo como também desenhei diretamente na caixa, o que foi um pouco mais desafiante para a minha ansiedade e mania da perfeição, que acabam sempre por resultar em mãos trémulas no exato momento em que estou a pintar. Mas fiquei contente com o resultado final.

Entretanto fui alternando este trabalho com outras pequenas coisas como, por exemplo, fazer mais alguns pendentes de massa para a árvore de Natal. Assim quando chegar a Dezembro já tenho decorações suficientes para os 360º da árvore e já fico com mais tempo disponível para as prendas caseiras.

Agora que já tenho os trabalhos atrasados em dia, acho que vou já passar à prenda da Páscoa, para garantir que fica pronta a horas. É que já faltam menos de 40 dias 😉

Era uma vez, a Strudel Pie…

Thanksgiving. Dia de Acção de Graças. Este é um dia tradicionalmente celebrado pelos americanos em Novembro, mas cada vez mais começamos a ouvir ou a ver, sobretudo através das redes sociais, pessoas que também por cá o celebram.

Há dois ou três anos, em conversa com a Sofia e com o Tiago, pensamos em celebrar também esta data, com direito a peru, acompanhamentos, tartes de de maçã, tudo o que uma mesa de thanksgiving tem direito. Contudo, o facto desta celebração ser relativamente próxima do Natal, os nossos planos acabavam sempre por sair furados.

Este ano decidimos que, desse por onde desse, teríamos o nosso momento de thanksgiving, quer fosse em Novembro ou Janeiro, ao almoço ou ao jantar. O importante mesmo era juntarmo-nos todos e celebrar isso mesmo.

E assim, num Domingo, já em 2017, conseguimo-nos sentar todos à mesa, juntamente com a Mariana, o André e a Oprah Winfrey (sendo que esta última, a nossa “padroeira” de thanksgiving, se juntou no formato de argolas para guardanapos que o Tiago providenciou), num almoço a meio da tarde, sem peru, mas com canelones vegetarianos, legumes assados no forno, pizza, tarte e gelado, para dar graças. Sim! Com momento de pequena oração de agradecimento antes da refeição e tudo.

Apesar de não ter referido nesse momento, uma das coisas pela qual estava mais grata nesse dia foi precisamente o facto de nessa manhã não ter rebentado com a minha cozinha. Uma das tomadas da cozinha, associada à instalação eléctrica do forno, tinha um cabo mal encaixado e assim que acendi o forno a tomada começou a aquecer, a protecção dos cabos eléctricos começou a derreter e comecei a ouvir barulhos (típicos de curto-circuito ou de faíscas). Por mero acaso, ainda estava na cozinha e dei conta que alguma coisa não estava bem.

Por teimosia, fiz o meu pai ir duas vezes lá a casa para ver o que se passava. Por sorte aconteceu tudo antes que a tomada incendiasse, pegasse fogo a um pano que se encontrava imediatamente acima e que estava igualmente muito perto do tubo de gás que alimenta o fogão.

Sim. Agradecimento foi a palavra de ordem do dia.

Tudo isto para contar a história de quando adaptei a tradicional tarte de maçã, recheando-a com um conteúdo idêntico ao do strudel, e criei a Strudel Pie ou tarte de Strudel (na verdade, talvez mais alguém terá feito o mesmo antes e portanto a criação não será inteiramente minha 😛 ).

2 massas quebradas
3 maçãs
1 colher de sobremesa (bem cheia) de farinha
6 colheres de sopa de açúcar
Canela
100g de miolo de noz
100g de miolo de amêndoa
100g de miolo de avelã

Numa tigela coloquei o açúcar, a farinha, a canela, o miolo de noz e de avelã partido em metades e as maçãs cortadas aos pedaços. Em seguida envolvi tudo e deixei repousar alguns minutos para que o açúcar em contacto com a maçã se transformasse numa espécie de xarope.

Durante esse tempo de repouso estendi as duas massas quebradas, coloquei uma no fundo de uma forma redonda para tartes e na segunda fiz alguns recortes com um cortador.

Por fim coloquei o recheio na forma, tapei com a massa recortada, uni o rebordo, decorei com os pedaços que tinham sobrado dos cortes e levei ao forno, pré-aquecido, durante 20-25 minutos.

Mais atrasada que os reis, só mesmo eu

A primeira publicação do ano é sobre as prendas de Natal.

Lembram-se de ter referido que desta vez fui um pouco ambiciosa demais? Quando dei por mim estava no dia 23 de Dezembro ainda a terminar pormenores e a embrulhar todas as prendas, tanto as caseiras como as “de compra”. Contas feitas, foram dez prendas caseiras que ofereci.

Para os mais pequenos, a minha sobrinha e o primo Lourenço, ofereci a cada um uma tela desenhada e pintada por mim (o desenho em si não é da minha autoria, em ambos os casos foram desenhos que encontrei na Internet e cujos autores desconheço). Na tela do Lourenço acrescentei ainda os seus “dados de nascimento”, ou seja, data, hora, tamanho e peso.

À minha sobrinha, além da tela, ofereci ainda um avental feito por mim, com a preciosa ajuda da minha mãe, pois continua a ser ela a grande mestre de máquina da costura. A ideia surgiu quando, uma vez, ia fazer um bolo e a minha sobrinha, por iniciativa própria, quis ajudar-me (todo o processo demorou o dobro do tempo, mas ela ficou muito contente com a sua participação). Eu vesti um avental e ela, na altura com um anos e nove meses, constatou que não tinha um avental como eu e nesse momento apercebi-me que esta poderia ser uma boa prenda de Natal.

Entretanto, no mês de Dezembro, a fama dos cocós de rena espalhou-se à conta de uma amiga, a Marília, que me pediu a receita. Também eu, esse Natal, fiz e enchi uns frascos, uns para a minha sobrinha oferecer às educadoras e auxiliares da sala dela e outros para oferecer nas minhas prendas de natal.

Por fim, na categoria “prenda revelação do ano” 2016…. (*tambores* turumrumrumrum tum!) as canecas personalizadas/decoradas por mim! Seis canecas decoradas e oferecidas a alguns primos: um informático, uma atleta fitness, uma veterinária (amante de animais no geral mas principalmente de gatos), um super fã de U2, um super fã de Beyoncé e uma jovem empreendedora.

Depois de uma vasta pesquisa sobre a melhor técnica, dos testes feitos (na primeira tentativa o desenho não resistia à lavagem na máquina da loiça) e de toda a pesquisa, selecção de texto/imagem e respectivos testes de desenho (sim, eu não sou uma artista brilhante e como tal tive de treinar primeiro no papel os textos e desenhos pelo menos uma meia dúzia de vezes) avancei para as peças finais.

Durante algumas noites da semana que antecede ao Natal, depois de chegar a casa do trabalho e de jantar, lá estava eu na minha secretária a tentar escrever minimamente a direito numa superfície curvilínea e vidrada, a tentar não tremer as mãos nem cometer erros ortográficos.

Houve ainda um percalço com a caneta que estava a usar, pois, a uma caneca e meia do fim, deixou de funcionar correctamente. Não entendi bem o que se passou com o bico, mas acho que se terá desencaixado e por isso escorria tinta em excesso de cada vez que a pressionava. Porém lá consegui contornar a situação ao estilo “pena e boião de tinta”: fazia uma poça de tinta numa folha e depois molhava a caneta para conseguir escrever (com pouquíssima pressão, caso contrário lá descia mais um borrão de tinta).

Acabados os desenhos, deixei secar durante 24 horas e depois levei ao forno. Passado o tempo de “cozedura”, desliguei o forno e deixei as canecas arrefecerem no seu interior. Et voilá!


(e do outro lado das 3 canecas de cima)

Agora só me resta saber se, após as lavagens sucessivas, os desenhos se mantêm em condições (mesmo depois do teste inicial ter sido bem sucedido). Por via das dúvidas fui avisando os destinatários que, caso os desenhos comecem a desvanecer, eu não me importo de retocar, fazer um furo no fundo e devolver com uma planta, passando assim a servir de vaso 😀

Apresento-vos a minha primeira ávore de Natal caseirinha

Como já contei em anos anteriores, as decorações de Natal lá por casa foram sempre da minha responsabilidade. Por isso, a partir do momento que passei a ter a minha casa ficaram a meu cargo não só as decorações na casa dos meus pais como também as minhas, sendo que na minha casa apenas fazia o presépio e colocava uma fita aqui e um boneco ali.

Este ano, arranjei uma árvore de Natal para a minha sala e, por esse motivo, tive de arranjar adereços para a mesma. Decidi então fazê-los “de raiz”, baseando-me em sugestões e ideias que já tinha guardadas no Pinterest, adaptando algumas delas para poder utilizar materiais que já tinha em casa.

Comecei no fim de Novembro pelos pendentes de papel, depois passei para as estrelas com molas da roupa, para as argolas dos cortinados revestidas com fitas e rendas e, por fim, fiz os círculos de massa.



Do ponto de vista ambiental, as argolas foram as grandes vencedoras, pois penso que entram quase a 100% na categoria “upcycle”, dado que aproveitei as argolas de uns varões de cortinados que já não existem (que tinha guardado, caso algum dia fossem necessárias) e umas fitas e rendas que eram sobras de “costuras” há muito feitas pela minha avó, (certamente com mais de 20 anos). Quase a 100%, porque o fiozinho dourado foi comprado agora propositadamente para pendurar todas estas decorações caseiras.

O conceito upcycle, trata-se de dar uma nova vida/novo ciclo aos materiais que outrora tiveram uma função diferente. Uma espécie de cruzamento entre o Reutilizar e Reciclar da nossa política dos 3 Rs (ou 4 Rs, se incluirmos o Restaurar).

Entretanto estas argolas fizeram tanto sucesso “lá por casa” que a minha irmã acabou por me pedir fazer uma extra para a minha sobrinha levar para a sua sala na escolinha.

Há duas semanas dei por concluídos os enfeites da árvore, pois já cobriam cerca de 75% da mesma (a percentagem à vista de quem entra na sala). Entretanto tive de passar às prendas de Natal caseiras, pois o tempo já estava a ficar escasso. Depois do Natal, e com mais tempo, farei mais alguns enfeites para a zona “não imediatamente à vista” da árvore.

Para o próximo ano fica a estrela (ou quem sabe um anjo ou algo do género) para colocar no topo e uma decoração para o exterior da casa.

Agora resta-me apenas desejar a todos um Santo e Feliz Natal, rodeado de familiares e amigos e, caso o texto das prendas de Natal caseiras não seja publicado até ao final deste ano, ficam já os votos de um próspero ano de 2017 😉

Dezembro solidário

Confesso: tenho andado muito caseira e com pouco tempo para escrever. As últimas caseirísses estão relacionadas com as decorações e prendas de Natal, pelo que, para já, só poderei revelar o que ando a preparar ao nível das decorações (como sempre, há prendas que são demasiado óbvias para alguns amigos e familiares que seguem o que por aqui vou publicando). Mas nem só de decorações e prendas é feito o Natal e, por isso, vou deixá-las para a próxima publicação para poder partilhar hoje a minha primeira experiência natalícia de 2016.

Acontece que tinha em casa uns casacos/blusões de Inverno em bom estado e que já não usava há algum tempo. Em Novembro surge uma campanha de recolha de roupa para enviar para os campos de refugiados da Síria e de outros países vizinhos. Assim, aproveitei que ia entregar os casacos e dei uma revisão geral a todos os armários, colocando de parte tudo o que já não me servia ou que não usava há muito tempo (e que muito provavelmente já não iria usar).

Infelizmente, esta campanha revelou-se uma grande vigarice e, logicamente, já não ia arrumar tudo outra vez. Decidi então procurar uma instituição em Setúbal, não só porque é o meu distrito de residência, mas também porque este sempre foi um dos distritos com maiores níveis de pobreza em Portugal.

Algumas pesquisas depois, contactei o Centro Social S. Francisco Xavier, pertencente à Cáritas Diocesana de Setúbal, que apoia/trabalha com pessoas sem abrigo, para saber se estariam interessados. Foram bastante simpáticos e explicaram-me que, de momento, só estavam a aceitar roupa de homem e toalhas/toalhões turcos, pois estavam muito limitados em termos de armazenamento. Como o que tinha para entregar era maioritariamente para senhora, informaram-me que na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, também em Setúbal, recebiam todo o tipo de roupa e calçado, às quartas-feiras, durante a manhã, e às sextas-feiras, durante a tarde.

Fiz então uma segunda ronda de escolha nas gavetas e armários, pois agora a realidade das pessoas a quem esta se destinava era diferente. Ao todo, tinha colocado de parte lenços, cachecóis, cintos, gorros, pijamas, camisolas de algodão, camisolas de malha, camisolas interiores, calças, casacos, meias, sapatos, botas e ténis… De tudo um pouco.

Na passada sexta-feira dirigi-me até à Igreja de Nª Srª da Conceição, na Avenida Bento Jesus Caraça. Quando cheguei, entrei na primeira porta que encontrei aberta e deparei-me com um pequeno corredor onde 5 ou 6 senhoras, de faixas etárias diferentes, aguardavam pela sua vez. Dirigi-me até uma senhora que estava a atender, disse que queria fazer uma entrega de roupa e esta pediu-me que aguardasse um instante para que uma colega sua me viesse ajudar.

Durante aquele breve momento de espera, apercebi-me que cada uma das senhoras, que aguardavam na entrada, tinha uma espécie de senha de atendimento. À medida que eram chamadas, indicavam as suas necessidades (tamanhos, tipo de roupa, para homem, mulher, menino ou menina…) e as colaboradoras deste serviço traziam a roupa.

Não cheguei a perguntar muito sobre o método de funcionamento daquele serviço ou, mais concretamente, o trabalho que ali desenvolvem, pois era evidente que estavam muito atarefadas. Apenas expliquei à colaboradora que me ajudou a levar os sacos do carro para as instalações da igreja, que no Centro Social S. Francisco Xavier me tinham indicado que ali recebiam roupa para depois distribuir pelas famílias e instituições mais necessitadas da zona.

No fim, a senhora, que tinha idade para ser… vá, não digo minha avó, mas talvez uma tia mais velha, pegou no último saco (um dos maiores) cheia de vitalidade e com um grande sorriso e disse “Deixe estar menina, não precisa de voltar a entrar que eu levo este último. Olhe, muito obrigada, que corra tudo bem para si e um Santo Natal para a menina e para a sua família”. Agradeci e retribui os votos de um Santo Natal de forma um pouco atabalhoada, pois não estava à espera que me desejassem um bom Natal tão cedo (na realidade não era assim tão cedo – já estávamos em Dezembro, mais ainda não me tinha consciencializado disso).

Eu sei. Desta vez desviei-me um pouco do tema deste meu cantinho e até me alonguei um pouco no texto, mas “esta entrada” no mês de Dezembro deixou-me o coração tão cheio que tive de partilhar. Ser solidário faz parte do Espírito de Natal (e devemos sê-lo nos restantes dias do ano também) e talvez desta forma inspire mais alguém a vasculhar as suas gavetas e armários 😉