E nos entretantos…

Tenho andado ausente nas escritas aqui pelo blog, mas um pouco mais activa no Instagram e também no meu cantinho de trabalhos caseiros. Até porque as minhas actividades caseiras, desde a última publicação aqui, não têm tido uma grande história por detrás delas. Por isso desta vez trago um “resumo” do que tenho andado a fazer.

Então, como já partilhei na página do Facebook e na conta do Instagram, ofereci à minha sobrinha, pela Páscoa, uma régua, em madeira, para marcar a sua altura ao longo dos anos. Como não queria decorá-la com motivos muito infantis, acabei por misturar algumas ideias do que fui encontrando pela Internet, pintando vários espaços, todos diferentes, para ao longo do seu crescimento anotar vários marcos da sua vida, como, por exemplo, quando apareceu o primeiro dente, a primeira palavra que disse, quando deu os primeiros passos, os passeios que fez, etc.

Portanto, daqui a primeira parte já está feita. Agora falta apenas começar a preencher e pregar à parede.

Também envolvendo o quarto da pequena, eu e a minha irmã decorámos a parede do quarto dela na manhã do dia 25 de Abril. A logística foi mais elaborada do que possa parecer à primeira vista, pois para além de colar todas as peças que formavam o desenho (algumas com a ajuda da minha sobrinha, que também quis participar) houve muita brincadeira em simultâneo, caso contrário todo este processo tornar-se-ia demasiado aborrecido e impaciente para a habitante do quarto.

Também andei pela cozinha e experimentei fazer algo com abacate pela primeira vez. No fim de semana em que fui ao Algarve, comprei uns abacates a um produtor local e, com os que estavam mais maduros fiz uma massa de atum e abacate, modéstia à parte, deliciosa. Eu, que não gosto de atum, comi, repeti e ainda enchi a marmita para o almoço do dia seguinte.

Quanto aos caroços dos abacates que usei, tirei-lhes a casca, espetei uns palitos e coloquei cada um num frasco com água para ver se germinam.

Ah! E por falar em plantas, as minhas orquídeas já floriram. A branca está carregada de flores, a amarela tem duas flores abertas, um pé novo e várias flores por abrir e as 3 que transplantei, em anos anteriores, têm folhas novas. Entretanto, não resisti e, numa ida ao hipermercado comprei a orquídea cor de vinho, resgatando-a assim de uma morte lenta à entrada do estabelecimento.

No último fim de semana, mesmo com todos os acontecimentos que existiram, ainda arranjei tempo para pintar mais uma fita académica, para a bênção de finalistas, e um mini-livro com uma receita de limonada para oferecer a um grandioso fã de Beyoncé que faz anos precisamente nesta data. Claro que lhe ofereci também um livro “a sério” (sobre um assunto um pouco diferente), mas o primeiro foi mais pela piada da coisa, porque: nº 1, é um grande fã de Beyoncé; nº 2, recentemente a Beyoncé lançou um livro intitulado “How to make lemonade” (como fazer limonada) e apesar de saber que ele iria adorar tê-lo, o preço saia um pouco (muito) do meu orçamento. E por isso juntei o melhor de dois mundos: Beyoncé e trabalhos manuais 😛 (carregando nas fotografias em baixo dá para ler um pouco melhor)


Massa de atum e abacate:

2 colheres de sopa de azeite
1 cebola roxa pequena
2 dentes de alho
3 latas de atum
1 lata de milho doce
Massa espiral q.b.
2 abacates pequenos (ou 1 abacate grande)
100 ml de natas para culinária
Leite q.b.
Queijo ralado q.b.
Sal e pimenta q.b.
Tomilho q.b.

Numa panela cozi as massas em água e sal. Depois de cozidas, transferi-as para um escorredor e na mesma panela refoguei, em azeite, a cebola roxa às rodelas e os dentes de alho picados. Em seguida juntei o atum bem desfiado, o milho, as massas, as natas, os abacates cortados em pedaços e temperei com pimenta.

À medida que ia mexendo, as natas começaram a engrossar e por isso fui juntando um pouco de leite, o suficiente até ficar com uma consistência cremosa, nem muito espessa, nem muito líquida.

Por fim servi com queijo ralado e tomilho.

Entretanto aproxima-se o 3º aniversário da Carolina Caseirinha e já sei o que vou fazer para assinalar esta data, mantenham-se atentos, porque um novo pequeno projecto surgirá 😀

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O folar e a estreia no Dia um… Na cozinha

Quando criei este cantinho da Carolina Caseirinha a Raquel do Amor às Camadas convidou-me para fazer parte de dois ou três grupos no Facebook, sendo um deles o Diz um… Na Cozinha. Neste grupo é lançado, todos os meses, um tema com o qual deverá ser publicada uma receita sempre, e apenas, no dia 1.  E para o dia 1 do mês de Abril o tema é: o folar.

Segundo o texto que introduz este desafio: “Reza a lenda que, algures em Portugal, vivia Mariana, moça cuja única aspiração era casar. Com as suas rezas a Santa Catarina logo lhe acudiram dois pretendentes: um jovem fidalgo e um pobre lavrador. Depois do auxílio divino, Mariana escolheu o pobre lavrador.
Na véspera do Domingo de Páscoa, porém, orava ainda atormentada com a ideia de que o fidalgo apareceria no dia do matrimónio para executar o seu noivo e por isso, no dia de Páscoa, levou uma coroa de flores ao altar de Santa Catarina pedindo clemência. Chegada a casa tinha um bolo com ovos inteiros, rodeado com as flores que havia posto no altar naquela manhã. Mais tarde, descobrira que também o jovem fidalgo e o pobre lavrador o tinham recebido. Obra de Santa Catarina, segundo ela, como forma de acabar com as disputas.”

Apesar de não conhecer (até agora) a lenda associada a este bolo, fazer um folar nos dias antecedentes à Páscoa é quase como uma tradição lá em casa. Sei que os folares variam variam muito consoante a região do país, mas a nossa tradição tem origem numa receita de uma revista Teleculinária um tanto, ou quanto, antiga, sem enchidos ou fios de ovos e que, ao sair do forno, deixa um aroma muito agradável a canela e erva doce na cozinha.

*fotografia tirada na Páscoa de 2014

Este ano, o folar saiu com um aspecto pouco típico de folar, porque depois de levedar tentei mexer o mínimo possível. Coitadinho, depois dos comentários na hora do café e de ver as fotografias que já têm sido publicadas no grupo até fiquei com pena do meu pobre e coitado folar. Ainda assim, apesar do aspecto, e aplicando a expressão “não julgar um livro pela capa”, desta vez ficou com uma camada mais crocante por fora por não o ter amassado depois de levedar, o que deixou todos surpreendidos (pela positiva! claro).

500 g de farinha
30 g de fermento de padeiro (usei uma saqueta de fermento de pão e mais um pouco de fermento para bolos)
1/2 dl de leite morno
1 pitada de sal
100 g de açúcar
1 colher de café de erva doce
1 colher de café de canela
75 g de margarina
2 ovos
raspa de 1 laranja
1/2 cálice de brandy
1 ovo cozido

Numa tigela misturei a farinha o fermento e o leite, o sal, o açúcar, a canela e a erva doce. Juntei a margarina, os ovos, a raspa da laranja e o brandy. Depois de amassar bem, formei uma bola, coloquei um pano por cima da tigela e deixei repousar durante uma hora, para que a massa levedasse.
Passado este tempo, passei a massa num tabuleiro (com o papel “vegetal” reutilizável), coloquei o ovo cozinho no centro desta e por cima duas tiras de massa, em forma de cruz, e levei ao forno durante cerca de 40 minutos.

Ah! Quase que me ia esquecendo. Antes de colocar o ovo cozido fiz uma cruz pressionando a mão na massa dizendo “Deus te acrescente, que é para muita gente”, tal como a minha mãe fazia desde que me lembro e que, de certa forma, já faz parte desta nossa tradição.