It’s not quite breakfast, it’s not quite lunch. This week I had brunch

Hoje começo com uma pequena adenda à última publicação. Então, ainda sobre o meu avô, disse-me a minha tia que terá ele aprendido as artes do ofício com um senhor de nome Américo Pechincha. Já a minha mãe acrescentou que o meu avô fazia as tais miniaturas de garrafas e barris somente para a família, não as vendendo para fora, eram funcionais. Ou seja, inicialmente o meu avô enchias de aguardente que se mantinha mais ou menos no seu interior. Com o passar dos anos, e porque não levavam os mesmos tratamentos que as pipas e barris de tamanho “normal”, começaram a surgir as fugas do líquido no seu interior.

 

Agora que já “apanhei” algumas das pontas soltas que vinham da última publicação, partilho hoje o que andei a preparar na cozinha nos últimos dias.

No passado fim de semana tivemos a festa da terra, a Festa de Todos os Santos, que celebra/manifesta o agradecimento da população pelo facto de, em 1755, a aldeia ter sido poupada à destruição causada pelo terramoto (sendo que as populações vizinhas teriam sido afectadas). Faz parte da tradição que nesta data haja toda uma produção caseira de doces e bolos, contudo este ano o meu “tempo de cozinha” não foi para sobremesas.

Aproveitei o fim de semana, a folga e o feriado para passar tempo com a família, especialmente com a sobrinha, aproveitando os eventos associados à festa, e também com alguns amigos, sendo que ainda deu para dar um pulinho à capital e celebrar os aniversários da Ana, da Joana e da Mafalda com uma maravilhosa vista sobre Lisboa, no restaurante Bellalisa Elevador (onde enchi, literalmente a barriga com o maravilhoso maccheronni que lá servem).

As últimas semanas têm sido bastante atarefadas e o equilíbrio entre horas de sono, emprego e outras actividades não tem sido fácil de manter. Por isso, na segunda-feira, e aproveitando que estava de folga, decidi que deveria oferecer a mim mesma um pequeno mimo que aparentemente é uma coisa “super da moda” (ou pelo menos era há uns tempos): um brunch – obviamente caseiro.

Lá fora o tempo estava óptimo. O sol enchia-me a cozinha e como banda sonora tinha colocado o álbum Seasons Rising & Falling do David Fonseca e o Mylo Xyloto dos Coldplay.  E assim, depois de ter combatido a preguiça que me prendia à cama, comecei a preparar a minha refeição mais composta do que um mero pequeno almoço, mas ainda assim mais leve que um almoço.

Demorei um pouco na confecção pois foi tudo, literalmente sem stress, mas no final tinha a minha espera na mesa:
– Salsichas enroladas em massa folhada;
– Salada de tomate, queijo fresco, vinagre balsâmico e orégãos;
– Ovos mexidos com pimento vermelho, brócolos, espinafres e queijo ralado, acompanhados de torradas;
– Sumo e café.



Mas não me fiquei por aqui. Aproveitei que o forno já estava ligado e preparei, para os pequenos almoços dos próximos dias, muffins de legumes ou mini quiches sem massa folhada (como preferirem chamar). As quantidades foram um pouco a olho, pelo que vou tentar descrever o melhor possível:

6 ovos
1/4 pimento vermelho
1/4 pimento verde
1/2 tomate
3 rodelas de curgete da largura de um dedo
2 mãos (bem cheias) de espinafres
1 mão (mal cheia) de brócolos
150 g de queijo ralado
Sal qb

Numa tigela bati os ovos, juntei os legumes cortados em pequenos cubos, o queijo e temperei com sal.

Coloquei a mistura em formas de silicone e levei ao forno, a 175ºC, durante cerca de 30 minutos.


Por fim, e depois de arrefecerem, reservei-os numa caixa no frigorífico. Agora de manhã coloco os muffins a aquecer no micro-ondas, para depois acompanhá-los com café e torradas.

Tradições de Natal

Nos dias que antecedem o Natal existem certas actividades e eventos que tenho todos os anos e que, por isso mesmo, já os considero como fazendo parte das minhas tradições de Natal. Um deles é a Festa de Natal da Catequese.

Em tempos andei na catequese e agora (há já 10 anos!) sou catequista. Todos os anos, desde que me lembro, os vários anos/grupos de catequese juntam-se antes do Natal e organizam uma festa com actuações das crianças e jovens para os familiares e para toda a comunidade. Nos últimos 3 ou 4 anos os grupos dos mais crescidos orientam, durante a festa, um pequeno bar com águas, cafés, chás, pequenos petiscos… No início eram bolos à fatia, depois começaram a ter mais saída os cachorros e os pães com chouriço e no ano passado foram os pastéis de nata quentes.

Este ano uma das novidades foram as waffles. Simples, com açúcar e canela, com chantilly ou com chocolate. Como tinha uma máquina para as fazer pediram-me que fizesse cerca de 50 waffles na manhã antes da festa. Assim, nessa tarde, os pedidos seriam aviados muito mais rapidamente, sendo apenas necessário aquecer ligeiramente as waffles e colocar o topping pretendido.

O desafio começou logo com a lista de compras. Sim, já tinha feito meia dúzia de waffles em casa, sem receita certa e com quantidades “a olho”, mas quantos ovos serão necessários para 50 waffles? E farinha, serão 2 kg muito? É certo que no fim sobraram alguns ingredientes, mas fui anotando as quantidades que utilizei para, da próxima vez, já ter uma ideia mais concreta das quantidades necessárias.

E não cheguei às 50, fiquei-me por 36 waffles, pois entretanto acabaram-se os ovos (o que até foi positivo, uma vez que no final da festa sobraram apenas 3 waffles). Assim, para as 36 waffles utilizei:

12 ovos
480 g açúcar
40g manteiga
1,2 l leite
1kg de farinha

Em duas tigelas coloquei as claras e as gemas separadas, para bater as claras em castelo. Às gemas adicionei o açúcar e bati até ficar cremoso. Aos poucos fui adicionando o leite e a farinha, intercalados (um pouco de farinha, um pouco de leite, e assim sucessivamente), e por fim juntei a manteiga e as claras em castelo.

Depois de aquecer a máquina, preenchi as placas/formas com a massa (um pouco menos de uma concha de servir por cada waffle – depende do tamanho das placas, mas não convém encher em demasia para não transbordar), e deixei cozinhar cerca de 3 a 4 minutos.

Tive de fazer duas “fornadas”, porque na maior taça que tinha não cabia a massa toda de uma só vez.

Aveia preguiçosa

Pequeno almoço. Dizem que é a refeição mais importante do dia e eu nunca dispenso o meu. De Segunda a Sexta-feira não existe uma grande ciência à volta dos meus pequenos almoços: uma fatia de pão caseiro torrado (umas vezes com manteiga, outras sem) com uma chávena de café. Mas hoje saí da rotina.

A Mariana esteve cá no fim de semana passado e, em modo conversa puxa conversa também com a Sofia, acabamos por falar de aveia. A minha primeira experiência com aveia (as bolachas que compro no supermercado não contam) aconteceu no Natal passado, mais precisamente no dia 24, em que fiz bolachas de aveia e côco e bolachas de aveia e laranja para oferecer (com etiquetas “Carolina Caseirinha” e tudo!).

Pensava eu que a aveia era mais uma daquelas coisas que estavam “na moda”, como as sementes de tudo e mais alguma coisa, os batidos e sumos saudáveis, mas estava errada. Segundo a minha mãe, a minha avó fazia muitas vezes aveia com leite, canela e casca de limão.

Durante a conversa com a Mariana e a Sofia lembrei-me que ainda tinha aveia em casa e que, mais dia menos dia, teria de a consumir para não se estragar. Desde que encontrei uma receita de overnight oats – aveia preparada na véspera – com óptimo aspecto que este tem sido o modo como mais tenho comido aveia (não que coma todas as semanas, mas uma vez por outra lá me lembro).

Por isso ontem, antes de me deitar, preparei tudo para hoje poder desfrutar de um pequeno almoço preguiçoso: aveia com sementes de linhaça e iogurte, acompanhada de uma chávena de café.

Ingredientes:
4 ou 5 colheres de sopa de aveia
1 colher de sopa e meia de  sementes de linhaça
1 iogurte aroma de pêssego
2 colheres de sopa de leite
Leite q.b.

De véspera, misturei num recipiente a aveia, as sementes, o iogurte e as 2 colheres de leite, tapei e coloquei-o no frigorífico. No dia seguinte retirei do frio e juntei mais um pouco de leite até que ficasse com a consistência do meu agrado.

A receita original já não me recordo qual era, pois nas minhas overnight oats acabo sempre por utilizar medidas “a olho” e por aproveitar os ingredientes que já tenho em casa. Por exemplo, outras combinações que fiz foram aveia, sementes de linhaça, iogurte grego e extracto de baunilha ou em, vez deste último, canela em pó.

Adaptar receitas

Mais uma semana de ausência. Entre uma grande necessidade de descansar e uma enorme vontade de não fazer nada acabei por não ter grandes novidades para vos trazer.
Por isso, e para me redimir, este fim de semana tive que combater o “dark side” da força e lá tive que me mexer.

Quando o Alexandre se baptizou, a Filipa (mãe do pequeno) emprestou-me o livro “Cozinha para quem não tem tempo” da Mafalda Pinto Leite e ficou prometido que faria pelo menos uma das receitas.

Desde então já o tinha folheado por algumas ocasiões mas nunca encontrava o que me apetecia fazer ou comer no momento. No Domingo passado apeteceu-me qualquer coisa para lanchar que não fosse o habitual pão caseiro ou os cereais com leite, mas que desse também para reservar e comer nos pequenos almoços seguintes.

Acabei por fazer a receita de scones da página 201, com algumas alterações. Geralmente se adapto uma receita (o que acontece com alguma frequência) é porque os ingredientes necessários não são muito comuns lá por casa ou porque apenas precisava de uma inspiração para usar o que já existe na despensa, mas desta vez foi exactamente o contrário. Para não serem simplesmente scones, apeteceu-me dar-lhes um pequeno toque. E foi assim que os scones da página 201 passara a ser os scones com sementes de linhaça e baunilha:

3 chávenas de farinha (a receita original diz 2, mas a meio acabei por necessitar de um pouco mais)
6 colheres de sopa de açúcar
6 colheres de sopa de manteiga
1 pitada de sal fino
1/2 colher de sopa de fermento (utilizei 1 saqueta de fermento de padeiro)
2 ovos
1/3 de chávena de natas
sementes de linhaça
extracto de baunilha (caseirinho que a Raquel e o Marco me ofereceram no Natal)

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Numa tigela misturei a farinha, o açúcar, o fermento, o sal, as sementes e depois a manteiga cortada em pedacinho pequenos. À parte bati os ovos com as natas e juntei à mistura da farinha, mexendo com um garfo até ficar quase numa bola. Nesta altura passei a massa da tigela para para a bancada (que já tinha polvilhado com farinha) a acabei amassá-la.

Estiquei a massa até ficar com uma forma meio cilíndrica, cortei em pedaços mais pequenos, fiz 2 golpes em cada pedaço e levei ao forno (pré-aquecido) num tabuleiro forrado com o papel vegetal (lavável e reutilizável) durante 15 a 20 minutos.

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Os golpes que fiz com a faca nada têm a ver com os tradicionais scones, mas facilitaram-me muito a tarefa de colocar manteiga enquanto ainda estavam quentes. Os que sobraram, congelei-os depois de arrefecerem todos os dias, enquanto preparo o café da manhã descongelo 2 ou 3 no microondas e parecem acabadinhos de sair do forno.

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