Fitas para Portugal, fitas para Espanha e surpresas em Pamplona

Holla niñas y niños!! Desculpem-me se o meu espanhol não é muito melhor do que isto mas este fim de semana estive em terras de nuestros hermanos e ainda venho um pouquito contagiada. E porquê Espanha? Porque este foi o último ano da Mariana na Universidad de Navarra e, portanto, na sexta-feira partimos todos numa grande excursão de família e amigos (com direito a carrinhas com malas no tejadilho e tudo) para celebrar com ela o fim do curso e aplaudir com muita força no momento da entrega dos diplomas.

No ano em que a Mariana fez erasmus em Lisboa eu era finalista do meu curso e numa das muitas viagens de comboio que fazíamos juntas entreguei-lhe uma fita para que ela e a irmã pudessem escrever. Foi nesse momento que me contou que em Espanha não têm bênção nem queima das fitas e que, de certa forma, era uma pena.

Por isso, quando a mãe dela, este ano, fez-nos o convite (a mim e à Sofia) para a surpreendermos com a nossa ida a Pamplona lembrei-me, quase instantaneamente, que uma boa prenda (e surpresa extra) seria uma pasta da faculdade onde fez erasmus, recheada com as fitas dos familiares e amigos que, directa ou indirectamente, fizeram parte desta sua grande aventura.

Já seria de esperar que a minha fita seria pintada, e quando a terminei notei que estava a faltar um pequeno pormenor: a assinatura. Assim, a primeira fita pintada com a assinatura Carolina Caseirinha foi a da Mariana, e todas as que surgiram (e que ainda surgirão) depois desta também foram (ou serão) assinadas. Para os finalista cá em Portugal tive outros 3 pedidos para pintar fitas, que por serem anteriores à fita da Mariana não foram assinadas, mas deram-me igualmente uma tremenda satisfação ao pintá-las (espero honestamente não ter desiludido ninguém!). Sobretudo quando duas delas chegaram pelo correio e no destinatário lia-se claramente “Para: Carolina Caseirinha” 😀





Sobre Pamplona, por aquilo que os meus olhos de turista de fim de semana viram, tenho a dizer que é um sítio lindíssimo e muito bem arranjado. Os prédios conferem à cidade um tom quente por serem maioritariamente “revestidos de tijolinhos” e em quase todos eles encontramos pelo menos uma varanda carregada de flores.

Durante a tarde de Sábado, em que saímos efectivamente para passear, as ruas, praças e jardins estavam repletos de pessoas, que tal como nós saíram a rua para aproveitar o bom tempo para passear, conviver ou simplesmente apanhar sol. E se por vezes nos distraiamos com as fotografias, com a conversa ou simplesmente com a paisagem,  acabávamos por levar uma “buzinadela” das campainhas das muitas bicicletas de pessoas que percorrem as ruas da cidade desta forma.

No percurso até Pamplona achei uma certa piada à variedade das paisagens que fomos atravessado pelas várias províncias, mesmo não entrando nas localidades. Ao passarmos a fronteira Portugal/Espanha, perto de Elvas, encontramos algo muito parecido ao nosso Alentejo com tons de amarelos e árvores do tipo sobreiros e carvalhos. Depois transitamos para uma espécie de Alentejo plantado onde as árvores são substituídas por longas plantações mantendo os tons amarelos e passando os verdes as ser mais “rasteiros”.

Aos poucos vamos passando por terras menos amarelas e mais verdes, com árvores mais ao “estilo” dos eucaliptos e dos pinheiros, até que entramos em terras mais altas onde o tipo de árvores já não conseguia identificar por se encontrarem cada vez mais longe. Até que entramos na zona do país Basco (não tenho bem a certeza, mas penso que tenha sido aí, pois já íamos completamente distraídas com a conversa e nem me passou pela cabeça “sacar” da máquina fotográfica nesse preciso momento) parece que estamos num cenário ao estilo do Senhor dos Anéis, cercados de montanhas tão altas que percebemos facilmente que as zonas de pedra que não têm vegetação ficam cobertas de neve no Inverno.

A minha única contestação relativamente ao percurso foi só mesmo a fronteira: então não é que entramos e saímos de Portugal e quase nem damos por isso. Devia haver algo mais do que uma simples placa azul para assinalar a fronteira, só isso 😉

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As fitas de finalistas

Já lá vão quase dois anos que acabei o meu curso e por esta altura andava eu, nesse ano, a distribuir as várias fitas pelas pessoas que, das mais variadas maneiras, me acompanharam durante este percurso de 5 anos. Esta é uma azafama que ocupa muitos dos estudantes há vários anos, e espero que continue a ocupar, pois quer seja com a bênção ou com a queima das fitas, é sempre agradável ler as mensagens que nos entregam, recordado momentos vividos em contexto académico ou desejando que a próxima etapa na nossa vida seja um emprego de sucesso, para o qual nos tentámos preparar durante todo este tempo.

A primeira fita que escrevi penso que tenha sido para a minha irmã quando ela acabou o curso. Devo dizer que não tem piada nenhuma escrever em fitas escuras (a dela era um roxo escuro, escuro, escuro!), mas lá consegui dar a volta a situação. O pior foi quando tentei personalizá-la com um desenho. Sendo eu a irmã não podia deixar a fita só com um, enquanto ela recebia dos amigos e outros familiares fitas enfeitadas com comprimidos colados (talvez seja importante explicar que estes estavam relacionados com o curso dela 😛 ), pinturas e outras aplicações em tecido ou madeira.

Já não me recordo de como surgiu a ideia (talvez até tenha sido a minha irmã a sugerir) mas acabei por fazer os desenhos com lápis Caran d’Ache. Novamente a tarefa não foi fácil, primeiro porque não sou propriamente uma grande artista plástica (vou apenas desenrascando…), segundo porque a técnica de molhar a ponta do lápis para usar depois em tecido (que ensopa por todo o lado) também não era muito fácil.

Durante os anos seguintes foi esta a técnica que usei nas fitas, até que chegou a minha vez de ser finalista. Nesse ano experimentei pela primeira vez usar tintas para tecido e esta experiência correu melhor do que esperava. Pintei as fitas que os meus amigos e colegas me tinham entregue para eu escrever, a fita que estava destinada ao meu grupo de crianças da catequese e a fita de “mim para mim”. Foi então que, depois de partilhar na Internet alguns resultados finais, comecei a receber pedidos de amigos, sobretudo no ano passado, para fazer umas pinturas nas fitas que também eles teriam de escrever.

Este ano ainda só me chegou uma fita às mãos e, por isso, está na altura de voltar a arregaçar as mangas e instalar a confusão de lápis, tintas e pincéis na mesa de trabalho 😉