Home Sweet Home

Lembram-se da régua de crescimento que ofereci à minha sobrinha pela Páscoa? Nessa altura aperfeiçoei a técnica de pintura com palitos e se estivesse num jogo de computador, nesta altura teria mais um ponto na skill de precisão e outro na de paciência. Pois este fim de semana voltei aos pincéis e palitos.

A Verónica vai casar e como complemento à prenda de casamento, que seguia num envelope acompanhada com o habitual cartão personalizado e feito por mim, eu e o Hugo oferecemos também uma pequena placa de madeira com a frase “home sweet home” (em português, lar doce lar), tratada e pintada por mim e com acabamentos idealizados pelo Hugo (há que dar o devido mérito à ideia da fitinha verde que faz toda a diferença como pormenor de contraste e acabamento).


Entretanto, já estou a acabar as minhas limpezas de Verão deste ano e, enquanto limpava o quarto, apercebi-me que ainda não tinha publicado aqui (apenas partilhei no Instagram) a mais recente “peça” arrumação de fios e colares que construí aproveitando uma garrafa de vidro de Gin Bombay Sapphire e meia dúzia de galhos.

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As férias, o cabide e o soufllé de atum

Estou de volta! De volta a casa, de volta ao trabalho, de volta às caseirísses de trabalhos manuais. Fui uns dias de férias para o maravilhoso sossego daquele pedaço de terra pitoresco e bem acolhedor chamado Zambujeira do Mar. Deu para apanhar frio, chuviscos, sol, “fazer praia”, acordar sem despertadores, tomar o pequeno almoço na rua com pãozinho quente que todas as manhãs nos deixavam à porta, conhecer um pouco da Costa Vicentina e sobretudo para descansar, recarregar baterias e “não mexer uma palha” quanto baste.

E digo quanto baste, porque ainda não tinha acabado a semana e já me encontrava em casa, com as mãos postas em mais um projeto caseirinho, que há muito queria e precisava fazer, um cabide para colocar na parede junto à entrada.

Mais uma vez inspirei-me no Pinterest e, umas pinceladas de vieux-chêne, umas pinceladas de verniz mate e uns furos depois, fiquei com menos dois pregos vazios na parede (porque no mesmo local, há 5 anos, esteve pendurado um outro cabide). Tão simples como uma tábua e seis puxadores.



No mesmo dia, começava às 19 horas o jogo Portugal-Espanha, que foi acompanhado com um pão de alho nada caseiro e, em seguida, com um soufllé de atum cuja receita nunca tinha experimentado. Sobre o soufflé: gostei, mas estava à espera que ficasse mais fofo. Nunca comi um soufllé, mas a ideia que tinha era que se assemelhasse um pouco a farófias, em termos de “leveza”, contudo a textura deste lembrava-me a tortilha de bacalhau que a minha mãe costumava fazer. Conclusão, hei-de repetir, cortando na quantidade de farinha para não ficar tão maçudo. Para já fica a receita original, do livro “Portugal connosco, receitas ao balcão”.

Ingredientes:
4 ovos
100 g de margarina
150 g de farinha (quantidade a reduzir da próxima vez)
2 latas de atum
2,5 dl de leite frio
1 colher de sopa de queijo ralado
Sal q.b.
Pimenta q.b.
Nós moscada q.b.
Queijo ralado q.b.

Separei as gemas das claras e reservei.

Numa panela em lume brando, derreti a margarina e juntei a farinha, misturando até ficar uniforme e retirei do lume.

Enquanto arrefecia um pouco, bati as claras em castelo.

Depois adicionei à margarina e farinha as gemas, o atum bem escorrido e desfiado, o leite, o queijo ralado e temperei com sal, pimenta e nós moscada.

Por fim envolvi as claras em castelo, coloquei num recipiente alto e apto para ir ao forno, cobri com queijo ralado e coloquei no forno, pré aquecido a 200ºC, durante 25 a 30 minutos.

E em menos de nada, já são 4 anos

20 de Maio de 2014. Faz precisamente hoje 4 anos que me lancei nesta aventura de partilha caseirinha. E 4 anos passados, achei que estava na altura de dar uma nova “pintura” a este cantinho. Hoje, e para assinalar o dia, começo pela página de Facebook.

A imagem de “apresentação” já há alguns meses que estava preparada, enquanto a foto de capa só nestes últimos dias é que a acabei. E como nas últimas semanas a gestão do meu tempo tem sido um pouco complexa, tive de deixar tudo preparado já que estaria desligada das redes socias durante grande parte do fim de semana.

E brevemente a “renovação” deste cantinho chegará também ao blog. Isso e novas caseirísses.

Resta-me agradecer o vosso tempo, apoio e feedback, caseirísse após caseirísse.

Empadão de Pescada Quase Espiritual

Ando cansada e a precisar de férias. O meu trabalho dos dias úteis de semana anda a estender-se para os fins-de-semana e apesar dos prazos de entrega estarem cada vez mais próximos, ainda assim parecem demorar a chegar. E se acho que ainda tenho muita coisa para fazer para tão pouco tempo, a verdade é que anseio que os prazos de entrega cheguem rápido, porque pouco depois vou de férias. Até porque, e como disse logo no início, estou a precisar de férias. E é por este motivo que não me tenho conseguido dedicar tanto às caseirísses como gostava.

Depois de um curto fim-de-semana de visita ao Algarve (que soube a pouco, já que na segunda-feira já estava eu no escritório a trabalhar) lá chegou a terça-feira, dia do trabalhador, dia de feriado. Foi também o dia que estive com o Hugo de volta das nossas férias para este Verão, a planear percursos e a definir alojamentos, mas sobre isso falarei noutro dia.

Aproveitei a manhã deste dia para fazer, para o almoço, uma “refeição de tabuleiro”, que normalmente necessita um pouco mais de tempo, mas rende sempre para as marmitas do dia seguinte. E já que estava com “a mão na massa” e com o tempo das próximas semanas um pouco contado, separei os preparados em dois tabuleiros diferentes para poder guardar um no congelador (e assim ter uma refeição pronta a ir ao forno e caseirinha).

Estava então decidida a fazer um empadão de peixe com puré de batata e pescada, mas pareceu-me demasiado simples e, por isso acabei por folhear o “Cullinarium 1” da Vaqueiro em busca de inspiração.

E foi assim que, com esta minha ideia inicial e misturando algumas partes de 2 ou 3 receitas da Vaqueiro, fiz o “Empadão de Pescada Quase Espiritual”, bem simples, delicioso e muito bom para quem só come legumes de forma “disfarçada”.

12 batatas pequenas
4,5 dl de leite
1 colher de sopa de margarina
1 cebola pequena picada
2 dentes de alho picados
4 colheres de azeite
1 alho francês cortado finamente
Gambas
1 cenoura grande ralada
1/2 “ramo” de brócolos
3 postas de pescada grandes cozidas
2 colheres de sopa de farinha
2 ovos
Pimenta q.b.
Nós moscada q.b.
Sal q.b.
Queijo ralado q.b.
Pão ralado q.b.
Cebolinho fresco q.b.

Num tacho coloquei as batatas cortadas em cubos a cozer com água e sal. Depois de cozidas, passei no passevit para fazer o puré, adicionei cerca de 2 dl de leite morno, a margarina, um pouco de nós moscada, mexi até ficar com uma consistência uniforme e reservei.

Numa panela à parte refoguei, em azeite, a cebola e o alho e juntei depois o alho francês. A meio da cozedura do alho francês, acrescentei o resto de um pacote de gambas (era já uma quantidade muito pequena e portanto foi só mesmo para aproveitar), a cenoura, os brócolos cortados em pedaços e sal.

Quando os brócolos se encontravam no ponto, juntei a pescada e depois de bem misturada adicionei 2,5 dl de leite, a farinha para fazer um molho branco, temperei com nós moscada e pimenta.

No tabuleiro de vidro para ir ao forno (usei dois para depois poder guardar um, como mencionei anteriormente) coloquei em uma camada de puré de batata, o preparado do peixe e legumes, polvilhei com um pouco de queijo ralado, mais uma camada de puré e por fim cobri com pão ralado, um pouco de cebolinho, da minha varanda, e levei ao forno, pré aquecido, durante 15/20 minutos.

Antes do queijo ralado deveria ter colocado os ovos cozidos em pedaços, mas como me lembrei apenas no final, acabei por cortar em rodelas e dispor por cima do pão ralado.

Ocupando os pregos vazios

A parede do cantinho dos trabalhos caseirinhos cresceu. Quer dizer, a parede em si tem o mesmo tamanho, o correto seria dizer que o número de pregos vazios diminuiu. Estou a referir-me, portanto, à parede inspiracional (motivational wall) que comecei no ano passado pelo aniversário do blog (como contei aqui).

Dessa data até agora fui pondo de parte as molduras que já não usava e sempre que ia a alguma casa de decoração e “utensílios para a casa” (neste caso sempre que ia à una loja Deborla, loja Viva ou Ikea) passava sempre na secção das molduras, onde acabei por adquirir algumas a um bom preço ou em promoção.

Quanto às frases (que, carregando nas imagens, abrem em tamanho maior), grande parte já as tinha guardado de sugestões anteriores que me apareceram nos feeds do Pinterest e as restantes foram partilhadas comigo por amigos (como é o caso de um dos manifestos) ou procurei propositadamente para o “repovoamento” da parede. O critério de selecção foi muito simples: fazem parte da parede frases (ou textos) que, de tempo a tempo, são importantes lembrar (aquela pep talk mental, de nós para nós), frases que gosto e com as quais me identifico, havendo sempre espaço para algum sentido de humor, claro.

Umas utilizei tal e qual como as encontrei, outras, que tinham texto preto em fundo branco ou eram textos simples corridos, dei-lhes um pequeno tratamento gráfico tão simples como colocar um padrão no fundo e jogar com as cores e os tipos de letra.

Era um trabalho muito simples, sendo que o maior desafio foi, sem dúvida, tentar não resvalar para um estilo “frases inspiradoras de Facebook com pôr do sol atrás”, como diria o Nuno Markl. Acho que, até ao momento, estou a ser bem-sucedida.

Finalmente, a parede já se encontra mais composta, mas ainda há pregos vazios. Por isso, mal haja uma nova adição partilharei convosco.

Uma festa gelada para terminar o ano

31 de Dezembro. Celebrações de fim de ano por toda a parte e faz 3 anos que, além de celebrar a entrada no novo ano acompanhada de familiares ou amigos, celebro também o aniversário da minha sobrinha. No dia a festa é sempre feita com os familiares mais diretos/próximos (já que a família é relativamente grande).

Este ano, ao contrário dos anteriores em que apenas houve uns chapéus dos Amigos do Panda (no primeiro aniversário) e um bolo da Kelly do Oeste (no segundo aniversário), houve um tema para a festa, o filme Frozen, e por isso houve algumas decorações, doces e petiscos a condizer.

Haviam enfeites e consumíveis “de compra” prontos a usar como copos, pratos, guardanapos e a toalha com desenhos da Anna e da Elsa, “puffs” de papel de seda branco, balões azuis e brancos, grinaldas com borboletas azuis, entre outros, e depois haviam os enfeites caseirinhos.

Na parede, onde estavam as mesas com os doces e salgados, colocámos uma faixa de papel de seda azul com flocos de neve confecionados com folhas brancas de papel e com umas imagens da Anna e da Elsa feitas com os saquinhos de formato triangular que se costumam usar para encher com guloseimas para oferecer. Na toalha de plástico de cor azul, sobrepusemos umas toalhas de papel branco, onde recortámos o rebordo de forma a assemelhar-se a estalactites de gelo.

Nos doces e salgados, os pratos habituais que costumamos fazer para as festas e os que alguns familiares trouxeram foram decorados com algumas imagens das personagens do filme.

Além destes havia ainda:

– Patê de delicias do mar em forma de boneco de neve;
– Olafs de brigadeiro de chocolate branco;
– Estalactites de gelo feitas com grissinis cobertos de chocolate branco e côco ralado ou com pepitas coloridas;
– Bonecos de neve de pipocas com açúcar caramelizado.

Por fim, o bolo de aniversário (não caseirinho), com uma imagem da Elsa, chegou até à mesa acompanhado da música “Já passou” na altura de cantar os parabéns.

Apesar de um tema bem gelado, foi uma tarde repleta de brincadeiras, muita dança e de convívio familiar. E quando questionada, pela minha mãe, sobre se tinha gostado da festa, a minha sobrinha respondeu que tinha gostado muito. Que gostou de dançar e de comer Olafs de pipoca com o tio João.

E no dia seis celebramos os reis com as prendas para o menino…

Como vem sendo habitual, não foram só as decorações de Natal que foram caseirinhas. Este ano (ou, mais corretamente, no ano que passou), apesar de ser em menor número que no ano anterior, algumas das prendas que ofereci foram caseirinhas.

No início do mês de Dezembro fiz uns pequenos testes que dei a provar, a uma ou outra pessoa, para não correr o risco chegar aos dias que antecedem o Natal e ficar sem prendas para oferecer porque aquilo que tinha idealizado não estaria a correr da forma como seria suposto.

Assim, depois de ter os testes aprovados, fiz chocolates brancos e negro, com sementes de abóbora, sementes de girassol, amêndoas, coco ralado, bolinhas coloridas e amendoins.



Fiz também gomas de vinho com vinho branco Lezíria e tinto da Adega de Pegões, sendo que esta era a prenda que, no início, tinha mais incerteza se o resultado final seria algo apresentável e, sobretudo, comestível. E sim, esta talvez tenha sido a prenda “uau” deste ano, competindo assim com as canecas e os cocós de rena e dos anos anteriores.


Este ano houve novamente caracóis de Inverno que, apesar de não serem uma novidade por aqui, aproveito agora para partilhar a receita, até porque quando precisei dela no dia 24 já nem me lembrava onde a tinha ido buscar inicialmente.

500g de farinha
240g de manteiga
300g de açúcar
2 ovos
20g de chocolate em pó
2 colheres de chá de extrato de baunilha

Numa tigela misturei a farinha, o açúcar, os ovos e a manteiga aos poucos, amassando bem até a massa estar bem ligada.

Dividi a massa em duas partes iguais, numa misturei o chocolate em pó e, na outra, o extrato de baunilha, fazendo duas bolas de massa, as quais envolvi em película aderente e deixei repousar no frigorífico por uma hora.

Passada essa hora, estendi as duas massas, formando um retângulo com cada, coloquei uma por cima da outra e, do lado mais comprido, comecei a enrolar como se de uma torta se tratasse.
Por fim, cortei em rodelas com cerca de 1 cm de largura e dispus num tabuleiro com papel vegetal reutilizável, levando ao forno (pré aquecido) a 180ºC, durante cerca de 15 minutos.

(Devem estar a reconhecer a fotografia, pois já foi publicada aqui da primeira vez que fiz os Caracóis de Inverno. Com a azáfama do momento, esqueci-me de tirar fotografias aos deste ano.)

Todas as prendas caseirinhas mereceram etiquetas caseirinhas condizentes, sendo que no próximo Natal todas as prendas levarão etiquetas caseirinhas (ou outras que encontrei pelo Pinterest), pois o stock quase interminável de etiquetas que tenho desde os anos 90 parece estar finalmente a chegar ao fim.