Dezembro solidário

Confesso: tenho andado muito caseira e com pouco tempo para escrever. As últimas caseirísses estão relacionadas com as decorações e prendas de Natal, pelo que, para já, só poderei revelar o que ando a preparar ao nível das decorações (como sempre, há prendas que são demasiado óbvias para alguns amigos e familiares que seguem o que por aqui vou publicando). Mas nem só de decorações e prendas é feito o Natal e, por isso, vou deixá-las para a próxima publicação para poder partilhar hoje a minha primeira experiência natalícia de 2016.

Acontece que tinha em casa uns casacos/blusões de Inverno em bom estado e que já não usava há algum tempo. Em Novembro surge uma campanha de recolha de roupa para enviar para os campos de refugiados da Síria e de outros países vizinhos. Assim, aproveitei que ia entregar os casacos e dei uma revisão geral a todos os armários, colocando de parte tudo o que já não me servia ou que não usava há muito tempo (e que muito provavelmente já não iria usar).

Infelizmente, esta campanha revelou-se uma grande vigarice e, logicamente, já não ia arrumar tudo outra vez. Decidi então procurar uma instituição em Setúbal, não só porque é o meu distrito de residência, mas também porque este sempre foi um dos distritos com maiores níveis de pobreza em Portugal.

Algumas pesquisas depois, contactei o Centro Social S. Francisco Xavier, pertencente à Cáritas Diocesana de Setúbal, que apoia/trabalha com pessoas sem abrigo, para saber se estariam interessados. Foram bastante simpáticos e explicaram-me que, de momento, só estavam a aceitar roupa de homem e toalhas/toalhões turcos, pois estavam muito limitados em termos de armazenamento. Como o que tinha para entregar era maioritariamente para senhora, informaram-me que na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, também em Setúbal, recebiam todo o tipo de roupa e calçado, às quartas-feiras, durante a manhã, e às sextas-feiras, durante a tarde.

Fiz então uma segunda ronda de escolha nas gavetas e armários, pois agora a realidade das pessoas a quem esta se destinava era diferente. Ao todo, tinha colocado de parte lenços, cachecóis, cintos, gorros, pijamas, camisolas de algodão, camisolas de malha, camisolas interiores, calças, casacos, meias, sapatos, botas e ténis… De tudo um pouco.

Na passada sexta-feira dirigi-me até à Igreja de Nª Srª da Conceição, na Avenida Bento Jesus Caraça. Quando cheguei, entrei na primeira porta que encontrei aberta e deparei-me com um pequeno corredor onde 5 ou 6 senhoras, de faixas etárias diferentes, aguardavam pela sua vez. Dirigi-me até uma senhora que estava a atender, disse que queria fazer uma entrega de roupa e esta pediu-me que aguardasse um instante para que uma colega sua me viesse ajudar.

Durante aquele breve momento de espera, apercebi-me que cada uma das senhoras, que aguardavam na entrada, tinha uma espécie de senha de atendimento. À medida que eram chamadas, indicavam as suas necessidades (tamanhos, tipo de roupa, para homem, mulher, menino ou menina…) e as colaboradoras deste serviço traziam a roupa.

Não cheguei a perguntar muito sobre o método de funcionamento daquele serviço ou, mais concretamente, o trabalho que ali desenvolvem, pois era evidente que estavam muito atarefadas. Apenas expliquei à colaboradora que me ajudou a levar os sacos do carro para as instalações da igreja, que no Centro Social S. Francisco Xavier me tinham indicado que ali recebiam roupa para depois distribuir pelas famílias e instituições mais necessitadas da zona.

No fim, a senhora, que tinha idade para ser… vá, não digo minha avó, mas talvez uma tia mais velha, pegou no último saco (um dos maiores) cheia de vitalidade e com um grande sorriso e disse “Deixe estar menina, não precisa de voltar a entrar que eu levo este último. Olhe, muito obrigada, que corra tudo bem para si e um Santo Natal para a menina e para a sua família”. Agradeci e retribui os votos de um Santo Natal de forma um pouco atabalhoada, pois não estava à espera que me desejassem um bom Natal tão cedo (na realidade não era assim tão cedo – já estávamos em Dezembro, mais ainda não me tinha consciencializado disso).

Eu sei. Desta vez desviei-me um pouco do tema deste meu cantinho e até me alonguei um pouco no texto, mas “esta entrada” no mês de Dezembro deixou-me o coração tão cheio que tive de partilhar. Ser solidário faz parte do Espírito de Natal (e devemos sê-lo nos restantes dias do ano também) e talvez desta forma inspire mais alguém a vasculhar as suas gavetas e armários 😉

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