Apresento-vos a minha primeira ávore de Natal caseirinha

Como já contei em anos anteriores, as decorações de Natal lá por casa foram sempre da minha responsabilidade. Por isso, a partir do momento que passei a ter a minha casa ficaram a meu cargo não só as decorações na casa dos meus pais como também as minhas, sendo que na minha casa apenas fazia o presépio e colocava uma fita aqui e um boneco ali.

Este ano, arranjei uma árvore de Natal para a minha sala e, por esse motivo, tive de arranjar adereços para a mesma. Decidi então fazê-los “de raiz”, baseando-me em sugestões e ideias que já tinha guardadas no Pinterest, adaptando algumas delas para poder utilizar materiais que já tinha em casa.

Comecei no fim de Novembro pelos pendentes de papel, depois passei para as estrelas com molas da roupa, para as argolas dos cortinados revestidas com fitas e rendas e, por fim, fiz os círculos de massa.



Do ponto de vista ambiental, as argolas foram as grandes vencedoras, pois penso que entram quase a 100% na categoria “upcycle”, dado que aproveitei as argolas de uns varões de cortinados que já não existem (que tinha guardado, caso algum dia fossem necessárias) e umas fitas e rendas que eram sobras de “costuras” há muito feitas pela minha avó, (certamente com mais de 20 anos). Quase a 100%, porque o fiozinho dourado foi comprado agora propositadamente para pendurar todas estas decorações caseiras.

O conceito upcycle, trata-se de dar uma nova vida/novo ciclo aos materiais que outrora tiveram uma função diferente. Uma espécie de cruzamento entre o Reutilizar e Reciclar da nossa política dos 3 Rs (ou 4 Rs, se incluirmos o Restaurar).

Entretanto estas argolas fizeram tanto sucesso “lá por casa” que a minha irmã acabou por me pedir fazer uma extra para a minha sobrinha levar para a sua sala na escolinha.

Há duas semanas dei por concluídos os enfeites da árvore, pois já cobriam cerca de 75% da mesma (a percentagem à vista de quem entra na sala). Entretanto tive de passar às prendas de Natal caseiras, pois o tempo já estava a ficar escasso. Depois do Natal, e com mais tempo, farei mais alguns enfeites para a zona “não imediatamente à vista” da árvore.

Para o próximo ano fica a estrela (ou quem sabe um anjo ou algo do género) para colocar no topo e uma decoração para o exterior da casa.

Agora resta-me apenas desejar a todos um Santo e Feliz Natal, rodeado de familiares e amigos e, caso o texto das prendas de Natal caseiras não seja publicado até ao final deste ano, ficam já os votos de um próspero ano de 2017 😉

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Dezembro solidário

Confesso: tenho andado muito caseira e com pouco tempo para escrever. As últimas caseirísses estão relacionadas com as decorações e prendas de Natal, pelo que, para já, só poderei revelar o que ando a preparar ao nível das decorações (como sempre, há prendas que são demasiado óbvias para alguns amigos e familiares que seguem o que por aqui vou publicando). Mas nem só de decorações e prendas é feito o Natal e, por isso, vou deixá-las para a próxima publicação para poder partilhar hoje a minha primeira experiência natalícia de 2016.

Acontece que tinha em casa uns casacos/blusões de Inverno em bom estado e que já não usava há algum tempo. Em Novembro surge uma campanha de recolha de roupa para enviar para os campos de refugiados da Síria e de outros países vizinhos. Assim, aproveitei que ia entregar os casacos e dei uma revisão geral a todos os armários, colocando de parte tudo o que já não me servia ou que não usava há muito tempo (e que muito provavelmente já não iria usar).

Infelizmente, esta campanha revelou-se uma grande vigarice e, logicamente, já não ia arrumar tudo outra vez. Decidi então procurar uma instituição em Setúbal, não só porque é o meu distrito de residência, mas também porque este sempre foi um dos distritos com maiores níveis de pobreza em Portugal.

Algumas pesquisas depois, contactei o Centro Social S. Francisco Xavier, pertencente à Cáritas Diocesana de Setúbal, que apoia/trabalha com pessoas sem abrigo, para saber se estariam interessados. Foram bastante simpáticos e explicaram-me que, de momento, só estavam a aceitar roupa de homem e toalhas/toalhões turcos, pois estavam muito limitados em termos de armazenamento. Como o que tinha para entregar era maioritariamente para senhora, informaram-me que na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, também em Setúbal, recebiam todo o tipo de roupa e calçado, às quartas-feiras, durante a manhã, e às sextas-feiras, durante a tarde.

Fiz então uma segunda ronda de escolha nas gavetas e armários, pois agora a realidade das pessoas a quem esta se destinava era diferente. Ao todo, tinha colocado de parte lenços, cachecóis, cintos, gorros, pijamas, camisolas de algodão, camisolas de malha, camisolas interiores, calças, casacos, meias, sapatos, botas e ténis… De tudo um pouco.

Na passada sexta-feira dirigi-me até à Igreja de Nª Srª da Conceição, na Avenida Bento Jesus Caraça. Quando cheguei, entrei na primeira porta que encontrei aberta e deparei-me com um pequeno corredor onde 5 ou 6 senhoras, de faixas etárias diferentes, aguardavam pela sua vez. Dirigi-me até uma senhora que estava a atender, disse que queria fazer uma entrega de roupa e esta pediu-me que aguardasse um instante para que uma colega sua me viesse ajudar.

Durante aquele breve momento de espera, apercebi-me que cada uma das senhoras, que aguardavam na entrada, tinha uma espécie de senha de atendimento. À medida que eram chamadas, indicavam as suas necessidades (tamanhos, tipo de roupa, para homem, mulher, menino ou menina…) e as colaboradoras deste serviço traziam a roupa.

Não cheguei a perguntar muito sobre o método de funcionamento daquele serviço ou, mais concretamente, o trabalho que ali desenvolvem, pois era evidente que estavam muito atarefadas. Apenas expliquei à colaboradora que me ajudou a levar os sacos do carro para as instalações da igreja, que no Centro Social S. Francisco Xavier me tinham indicado que ali recebiam roupa para depois distribuir pelas famílias e instituições mais necessitadas da zona.

No fim, a senhora, que tinha idade para ser… vá, não digo minha avó, mas talvez uma tia mais velha, pegou no último saco (um dos maiores) cheia de vitalidade e com um grande sorriso e disse “Deixe estar menina, não precisa de voltar a entrar que eu levo este último. Olhe, muito obrigada, que corra tudo bem para si e um Santo Natal para a menina e para a sua família”. Agradeci e retribui os votos de um Santo Natal de forma um pouco atabalhoada, pois não estava à espera que me desejassem um bom Natal tão cedo (na realidade não era assim tão cedo – já estávamos em Dezembro, mais ainda não me tinha consciencializado disso).

Eu sei. Desta vez desviei-me um pouco do tema deste meu cantinho e até me alonguei um pouco no texto, mas “esta entrada” no mês de Dezembro deixou-me o coração tão cheio que tive de partilhar. Ser solidário faz parte do Espírito de Natal (e devemos sê-lo nos restantes dias do ano também) e talvez desta forma inspire mais alguém a vasculhar as suas gavetas e armários 😉