Cactos, pedras, cacto-pedras, hambúrgueres vegetarianos, limonadas e amigos

No fim-de-semana passado andei toda entretida a pintar pedras para uma prenda caseira.
Acontece que a Sofia mudou de casa e por isso quis oferecer-lhe um housewarming gift (desculpem o inglês, mas nem sei bem que expressão em português devo utilizar – um presente para comemorar a mudança de casa???) e uma planta estava fora de questão. Isto porque, segundo a própria, as plantas com ela nunca duram muito tempo, ora porque não as rega o suficiente, ora porque rega-as em demasia. Ao mesmo tempo queria que fosse algo caseirinho. Foi então que me lembrei que há tempos vi algures no Pinterest uma ideia muito engraçada e que juntaria estes dois “mundos”: um cacto de pedras.

Durante as férias no Algarve, aproveitei as idas à praia para juntar alguns pequenos seixos para pintar com diferentes tons de verde. Claro que, entretanto, acabaram-se as férias, regressei ao trabalho e, por alguns dias, este pequeno projecto ficou parado. Até ao Sábado do fim-de-semana passado.

No Sábado ia jantar com a Sofia e com o Tiago à casa dela e, como tal, sabia que tinha de acabar este trabalho. Fui para o cantinho dos trabalhos manuais, meti a tocar uma das minhas playlists no spotify com Ray Charles, Peggy Lee, Alicia Keys e outros mais, e lá recomecei.

De palito na mão e tinta branca preparada, ponto a ponto, risco a risco, os cactos começaram a ganhar forma, ou mais correctamente a ganhar aspecto. E foi muito mais descontraído e sem stress do que esperava. A minha mania das perfeições nem lançou qualquer alerta por um ponto ficar mais fora do alinhamento ou por um risco mais aglomerado. Nada. Talvez tenha sido a combinação do cantinho dos trabalhos com a banda sonora escolhida que contribuiu para esta manhã tão zen.

Por fim, e já com tudo pintado, enchi um vaso com pequenas pedrinhas, coloquei os cactos-pedras e para toque final juntei um laço e um pequeno bilhete com uma recomendação: a de que esta planta não precisava de muita água. Aliás, nenhuma água era suficiente.

Entretanto jantámos hambúrgueres vegetarianos feitos pela Sofia (nota mental: tenho que lhe pedir a receita, pois estavam mesmo bons) e vimos o Lemonade da Beyoncé, sem a limonada que o Tiago prometeu que iria fazer (nota mental 2: próximo filme, ele não escapa, vou querer um copo de limonada).

O projecto interminável que chegou finalmente ao fim

Outubro de 2013. Dei início ao projecto caseiro que mais tempo se arrastou até o concluir. Quase como aquelas obras públicas que param algures no tempo devido a burocracias ou falta de qualquer coisa. No meu caso foi falta de materiais e excesso de preguiça para o terminar. Comecemos então pelo princípio.

Pouco antes desse mês de Outubro quis aproveitar uma palete de madeira, que sobrou de uma pequena obra que houve na casa da minha irmã, e comecei a investigar/procurar ideias do que poderia fazer com ela. Depois das muitas voltas que dei no Pinterest decidi que iria transformá-la numa mesa para colocar a televisão na sala.

Como tinha apenas uma palete, comecei a rabiscar num caderno algumas ideias para tentar perceber qual seria a melhor estrutura para poder tirar o máximo proveito da palete. Serrei, lixei, aparafusei, coloquei rodas e no fim, antes de começar a envernizar percebi que ainda assim a mesa ficaria muito rasteira. Se ao menos a minha televisão fosse um daqueles super ecrãs… Mas não, é apenas uma pequena e modesta televisão.

E, portanto, ficou a estrutura parada a um canto à espera de solução (e talvez também de coragem para a terminar).

Entretanto no ano passado houve mais obras, desta vez no quintal, e lá consegui arranjar mais uma palete, em pior estado que a primeira, mas ainda assim dava para aproveitar. E o que fiz eu com ela? Guardei-a ao lodo da outra, já começada, à espera de disponibilidade minha e de coragem para retomar este projecto.

Durante este Verão, comecei a pensar que deveria começar a fazer algumas mudanças em casa, mais concretamente pequenas alterações para que se mantenha prática e ao mesmo tempo com uma identidade mais marcada. Foi então me lembrei deste projecto estagnado e decidi-me a terminá-lo.

Nestas últimas semanas cortei a segunda palete, lixei, limpei, juntei as duas partes e, para acabamento, passei um verniz brilhante cor mogno (que inicialmente, após secar, me pareceu muito escuro, mas agora que a mesa já está na sala já gosto muito mais da cor).

E assim, num 2 em 1, fiquei com a sala um pouco mais prática (agora já não tenho que andar com a mesa do corredor para a frente e para trás) e “estilosa”.