Agulha e linha, tinta e pincel, praça e mercado

O passado domingo foi dia de festa para os meus jovens da catequese e para mim, que sou catequista deles. Depois de um ano de preparação chegou o dia da sua Profissão de Fé e por isso andei a preparar, quase com um mês de antecedência, uma pequena lembrança para lhes entregar.

Como este ano o dia 25 de Abril trouxe um fim de semana prolongado, aproveitei esse tempo para dar início a estes trabalhos e também para fazer um outro para a minha sobrinha levar para a creche. Assim viajei rumo ao Algarve carregada de caixas de madeira, tintas, pincéis, lixa, tecidos e linhas para “dar conta” destas tarefas.

Para além destas tarefas, e já que ia para o Algarve, aproveitei também para ir à praça e ao mercado local para me abastecer das coisas que compro sempre que vou ao Sul do país (desta vez foram amêndoas e laranjas).

No primeiro dia só dei umas voltinhas a pé pela praia dos pescadores, mas nos dias seguintes ainda apanhei um pouco de sol (de forma saudável!), já que o tempo a partir daí esteve maravilhoso.


Mas voltando aos trabalhos. Umas semanas antes, a minha sobrinha trouxe um trabalho para fazer em casa no âmbito de um projecto da Rede Europeia Anti-pobreza, com base na história “A manta”. O objectivo do trabalho seria retratar num pedaço de tecido uma história acerca da sua família, para depois juntarem os pedaços de todas famílias e criar uma manta de retalhos cheia de histórias.

Assim, esta tia e a avó (ou seja, a minha mãe) pegaram nas linhas e tecidos e montaram um pequeno acampamento, contando a história dos escuteiros.

Depois comecei com as lembranças para a Profissão de Fé: uma caixa com pequenas orações, pensamentos e frases sobre a fé. Desde o início do ano que trabalhamos durante as catequeses o tema da fé e uma das frases que lhes apresentei dizia que a “fé é como o wifi, invisível mas tem o poder de te conectar com quem precisas”. Assim, o conteúdo desta caixinha serviria para os auxiliar em todas as vezes que se quiserem “conectar” com Deus, mas não souberem o que dizer.

Comecei então por passar uma lixa nas 9 caixas de madeira e, depois de as limpar, pintei de bege e azul, castanho ou verde. Entretanto fiz uma selecção das frases e orações que fui pesquisando e passei tudo o que não tinha em formato digital para um documento de texto, para depois imprimir.

Já de volta a casa, colei pequenas ovelhas usando a técnica do guardanapo, escrevi um excerto do salmo 23 na tampa de cada caixa, passei um verniz mate e imprimi e cortei as dezenas de papelinhos coloridos para preencher cada uma das caixas. E no fim coloquei uma pequena etiqueta na fechadura (não era o melhor sítio para a colocar, mas era o mais fácil) com a frase que deu início a toda esta ideia.

Ah! E lembram-se das orquídeas cá de casa? Floriram durante a minha ida ao Algarve. Quando regressei reparei que tinham aberto duas flores brancas (na orquídea que era azul graças aos corantes que lhe injectaram) e três amarelas. Hoje a branca está carregada e a amarela ainda tem duas ou três flores por abrir.

E pronto. Foi este o motivo da minha ausência por aqui. Isto e o cansaço do emprego, mas que já estou em fase de recuperação para me “meter” noutra caseirísse novamente.

Quanto aos meu jovens surpreenderam-me muito e pela positiva, claro. No domingo lá foram eles professar a sua fé diante dos familiares, amigos e toda a comunidade paroquial, juntamente com os jovens do outro grupo de catequese da mesma idade deles. Com apenas um ensaio cheio de contratempos e muito apressado na véspera, estiveram durante toda a cerimónia à altura do desafio. Sabiam onde estavam, o que estavam a fazer e portaram-se melhor que muitos adultos também ali presentes.

E no fim, no momento em que os catequistas habitualmente entregam os diplomas e as lembranças a cada um deles, vieram-me oferecer um ramos de flores lindíssimo e vários corações com mensagens que todos eles escreveram, mensagens essas ainda mais maravilhosas que o ramo de flores. Sem dúvida que me encheram o coração enquanto lia cada uma delas.