Aprender a comer brócolos

Brócolos. Nunca tive nada contra, mas não gostava deles. O cheiro depois de cozinhados, a textura, o sabor… Mas o tempo verbal encontra-se correcto, não gostava e “aprendi” a gostar, ou a contornar o que não gostava. Era um vegetal que não consumia de todo, nem “disfarçado” no meio de outros alimentos (sempre que a minha mãe fazia peixe cozido acompanhado de batatas e brócolos, os primeiros 5 minutos da refeição sou eu a tentar retirar o máximo possível de todos os vestígios de raminhos no meu prato), e agora como-os à dentada?

Bem, o primeiro passo que dei neste sentido tenho a agradecer á minha amiga Marília que um dia, nas nossas muitas viagens de comboio para Lisboa, partilhou comigo que os filhos dela gostavam muito de sopa de brócolos. Sopa de brócolos?! Mas só de brócolos? Tipo creme? Toda verde? Na minha cabeça pensei logo que não era para mim, que não iria suportar o sabor, mas se as crianças delas comiam a sopa com tanto gosto lancei-me ao desafio e decidi experimentar. Andei a procura nas revistas de culinária que tinha e lá encontrei uma receita. Surpresa das surpresas: a sopa era boa e não sabia aos brócolos cozinhados no mesmo tacho com as cenouras, as batatas e o peixe.

Esta foi a minha primeira vitória nas batalhas que nós, seres humanos, grandes ou pequenos, travamos na guerra que é comer vegetais. Mas a derradeira e decisiva vitória foi ganha graças à receita que vos trago hoje. Foi com ela que estreie a minha wok. Depois de ter comprado massa tipo tagliatelle mas de arroz (naquela maravilhosa secção do Jumbo que é a secção dos sabores do mundo) andei à procura de formas para a cozinhar ou acompanhar e nas várias receitas que encontrei adivinhem só que vegetal aparecia com frequência? Pois é,  brócolos.

Foi com a massa de arroz com camarão e legumes salteados, resultante do cruzamento das várias receitas que encontrei, que descobri que se saltear os brócolos na wok em vez de cozer em água, ficam com o sabor diferente e que me agrada muito mais, com o beneficio que ficam também mais crocantes.

1 colher de sopa de azeite
200g de camarão/gambas (congelado)
100g de cogumelos (congelado)
1 dente de alho
1/2 cebola
1 cenoura
1/2 alho francês
200g de brócolos
100g de amêndoas
massa de arroz
sementes de sésamo q.b.
sementes de girassol q.b.
molho de soja q.b.
sal q.b.

Numa frigideira cozinhei os cogumelos e o camarão/gambas (neste caso os que tinha eram congelados) com o alho picado e o azeite.

Na wok salteie a cebola cortada em rodelas, os brócolos cortados em pedaços, o alho francês às rodelas e a cenoura ralada. Quando os legumes já estavam quase no ponto, juntei as amêndoas cortadas a meio e as sementes.

Enquanto os legumes acabavam de cozinhar, cozi a massa de arroz em água e sal durante 3-4 minutos. Normalmente as massas é a primeira coisa que faço, mas neste caso é preferível no final porque cozinham muito rapidamente e assim não ficam coladas e “peganhentas”.

Por fim, juntei as massas, os cogumelos e os camarões na wok com o molho de soja e misturei tudo em lume brando por mais uns minutos.


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Primavera, desculpa o meu atraso

Chegou a Primavera, as horas no relógio adiantaram, passou a Páscoa e eu sem escrever. Já devia ter regressado às escritas mais cedo, pois tenho algumas receitas em lista de espera para partilhar, mas por hoje, e na sequência da entrada na estação do ano em que as flores regressam, tenho que vos contar como andam as minhas orquídeas.

Em Novembro transplantei pela primeira vez dois rebentos da minha orquídea mais velhinha e nessa altura prometi que mais tarde traria notícias sobre o processo. Não tinha bem a certeza se iria resultar. Não sabia se ambos os rebentos iriam pegar ou se acabaria por afectar a orquídea “mãe”, mas até agora o resultado metem-se positivo.

Em ambos os rebentos cresceu uma folha nova e estão com boa cor, sendo que este ano seja bem provável que não tenham tempo suficiente para aparecerem flores. Quanto às duas orquídeas grandes (a amarela velhinha e a azul mais nova) estas já têm meia dúzia de botões quase, quase, prontos a abrir. Acho que só necessitam de mais uns raios de sol para ficarem prontas a acolher esta estação do ano.