O folar e a estreia no Dia um… Na cozinha

Quando criei este cantinho da Carolina Caseirinha a Raquel do Amor às Camadas convidou-me para fazer parte de dois ou três grupos no Facebook, sendo um deles o Diz um… Na Cozinha. Neste grupo é lançado, todos os meses, um tema com o qual deverá ser publicada uma receita sempre, e apenas, no dia 1.  E para o dia 1 do mês de Abril o tema é: o folar.

Segundo o texto que introduz este desafio: “Reza a lenda que, algures em Portugal, vivia Mariana, moça cuja única aspiração era casar. Com as suas rezas a Santa Catarina logo lhe acudiram dois pretendentes: um jovem fidalgo e um pobre lavrador. Depois do auxílio divino, Mariana escolheu o pobre lavrador.
Na véspera do Domingo de Páscoa, porém, orava ainda atormentada com a ideia de que o fidalgo apareceria no dia do matrimónio para executar o seu noivo e por isso, no dia de Páscoa, levou uma coroa de flores ao altar de Santa Catarina pedindo clemência. Chegada a casa tinha um bolo com ovos inteiros, rodeado com as flores que havia posto no altar naquela manhã. Mais tarde, descobrira que também o jovem fidalgo e o pobre lavrador o tinham recebido. Obra de Santa Catarina, segundo ela, como forma de acabar com as disputas.”

Apesar de não conhecer (até agora) a lenda associada a este bolo, fazer um folar nos dias antecedentes à Páscoa é quase como uma tradição lá em casa. Sei que os folares variam variam muito consoante a região do país, mas a nossa tradição tem origem numa receita de uma revista Teleculinária um tanto, ou quanto, antiga, sem enchidos ou fios de ovos e que, ao sair do forno, deixa um aroma muito agradável a canela e erva doce na cozinha.

*fotografia tirada na Páscoa de 2014

Este ano, o folar saiu com um aspecto pouco típico de folar, porque depois de levedar tentei mexer o mínimo possível. Coitadinho, depois dos comentários na hora do café e de ver as fotografias que já têm sido publicadas no grupo até fiquei com pena do meu pobre e coitado folar. Ainda assim, apesar do aspecto, e aplicando a expressão “não julgar um livro pela capa”, desta vez ficou com uma camada mais crocante por fora por não o ter amassado depois de levedar, o que deixou todos surpreendidos (pela positiva! claro).

500 g de farinha
30 g de fermento de padeiro (usei uma saqueta de fermento de pão e mais um pouco de fermento para bolos)
1/2 dl de leite morno
1 pitada de sal
100 g de açúcar
1 colher de café de erva doce
1 colher de café de canela
75 g de margarina
2 ovos
raspa de 1 laranja
1/2 cálice de brandy
1 ovo cozido

Numa tigela misturei a farinha o fermento e o leite, o sal, o açúcar, a canela e a erva doce. Juntei a margarina, os ovos, a raspa da laranja e o brandy. Depois de amassar bem, formei uma bola, coloquei um pano por cima da tigela e deixei repousar durante uma hora, para que a massa levedasse.
Passado este tempo, passei a massa num tabuleiro (com o papel “vegetal” reutilizável), coloquei o ovo cozinho no centro desta e por cima duas tiras de massa, em forma de cruz, e levei ao forno durante cerca de 40 minutos.

Ah! Quase que me ia esquecendo. Antes de colocar o ovo cozido fiz uma cruz pressionando a mão na massa dizendo “Deus te acrescente, que é para muita gente”, tal como a minha mãe fazia desde que me lembro e que, de certa forma, já faz parte desta nossa tradição.

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