As fitas de finalistas

Já lá vão quase dois anos que acabei o meu curso e por esta altura andava eu, nesse ano, a distribuir as várias fitas pelas pessoas que, das mais variadas maneiras, me acompanharam durante este percurso de 5 anos. Esta é uma azafama que ocupa muitos dos estudantes há vários anos, e espero que continue a ocupar, pois quer seja com a bênção ou com a queima das fitas, é sempre agradável ler as mensagens que nos entregam, recordado momentos vividos em contexto académico ou desejando que a próxima etapa na nossa vida seja um emprego de sucesso, para o qual nos tentámos preparar durante todo este tempo.

A primeira fita que escrevi penso que tenha sido para a minha irmã quando ela acabou o curso. Devo dizer que não tem piada nenhuma escrever em fitas escuras (a dela era um roxo escuro, escuro, escuro!), mas lá consegui dar a volta a situação. O pior foi quando tentei personalizá-la com um desenho. Sendo eu a irmã não podia deixar a fita só com um, enquanto ela recebia dos amigos e outros familiares fitas enfeitadas com comprimidos colados (talvez seja importante explicar que estes estavam relacionados com o curso dela 😛 ), pinturas e outras aplicações em tecido ou madeira.

Já não me recordo de como surgiu a ideia (talvez até tenha sido a minha irmã a sugerir) mas acabei por fazer os desenhos com lápis Caran d’Ache. Novamente a tarefa não foi fácil, primeiro porque não sou propriamente uma grande artista plástica (vou apenas desenrascando…), segundo porque a técnica de molhar a ponta do lápis para usar depois em tecido (que ensopa por todo o lado) também não era muito fácil.

Durante os anos seguintes foi esta a técnica que usei nas fitas, até que chegou a minha vez de ser finalista. Nesse ano experimentei pela primeira vez usar tintas para tecido e esta experiência correu melhor do que esperava. Pintei as fitas que os meus amigos e colegas me tinham entregue para eu escrever, a fita que estava destinada ao meu grupo de crianças da catequese e a fita de “mim para mim”. Foi então que, depois de partilhar na Internet alguns resultados finais, comecei a receber pedidos de amigos, sobretudo no ano passado, para fazer umas pinturas nas fitas que também eles teriam de escrever.

Este ano ainda só me chegou uma fita às mãos e, por isso, está na altura de voltar a arregaçar as mangas e instalar a confusão de lápis, tintas e pincéis na mesa de trabalho 😉









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Mini croissants caseiros

Fez ontem uma semana que o lanche lá em casa foi muito fancy. Ok, não foi assim tão chique quanto isso, mas mini croissants soa-me sempre a algo mais requintado, porque: 1) é uma palavra francesa; 2) este tipo de miniaturas lembrar-me sempre eventos com pessoas bem vestidas e outras com bandejas de pequenos petiscos.

Com pouco fiz um prato cheio de pequenas gulosices para 5 pessoas e que, acabadinhas de sair do forno, souberam-me muito bem. Nada de muito complicado:

1 embalagem de massa folhada
creme para barrar de avelãs (tipo Nutella)
uma dúzia de avelãs (que torrei no forno) picadas

Desenrolei a massa folhada (usei daquelas que já vêm esticadas) e cortei em triângulos. Na base de cada triângulo barrei uma colher de café de creme de avelãs e coloquei sobre o creme algumas avelãs picadas.
Enrolei os triângulos no sentido da base até ao bico e quando os coloquei no tabuleiro, curvei ligeiramente as pontas para que ficassem com a forma típica dos croissants. Por fim, coloquei o tabuleiro no forno, a 175 ºC, durante uns 20 minutos.

Só achei que não devei ter picado tão finamente as avelãs no 1, 2, 3, porque passaram muito despercebidas. Fora isso, estavam tão bons que, quando o jantar chegou à mesa, já não havia grande apetite.

Pão do Vaticano – A história

Há uns tempos atrás relatei a minha aventura com o Pão do Vaticano: uma espécie de pão doce que começa com uma porção de massa que alguém nos entrega e que, depois de seguirmos passo a passo a receita durante quase uma semana, dividimos também em porções para dar a outros e cozinhamos a nossa porção. Nessa altura andei a pesquisar pela Internet qual seria a história ou origem desta receita, que quase parece uma daquelas correntes dos e-mails, mas da pesquisa resultou muito pouco.

Nos últimos dias de Março a Isabel comentou, nessa mesma publicação, que a receita era muito parecida com o Bolo do Padre Pio. Assim dei início a uma nova pesquisa, desta vez procurando a história do Bolo do Padre Pio, e de tudo o que li a explicação Na Cozinha da Margo foi a que me pareceu mais completa:

«O Bolo da Fortuna ou Bolo do Padre Pio é muito antigo, mais de século de existência. Às vezes pode ser confundido com o bolo da sorte dos Três Reis Magos, que também leva na mistura frutas cristalizadas.  Dizem que tudo começou com um pedaço de  fermento amassado pelo próprio Padre Pio (capuchinho italiano, que acabou virando santo pelas  curas que fazia). Essa receita foi correndo o mundo e acabou caindo de paraquedas no Brasil, por algum imigrante ou descendente europeu e popularizou-se, principalmente pelo sentido religioso. Então a ideia era uma “corrente” para ir alimentando e compartilhando esse fermento com as pessoas as quais você desejava boa sorte. Com a parte que você ganharia, era feito um bolo com uma fermentação natural ao longo de 3 dias! Depois disso, a preparação do bolo renderia mais 7 dias. Usar batedeira? Nem pensar. Como os ingredientes iniciais são sempre açúcar e farinha, nunca se estragava.»

Entretanto, no fim de semana passado, recebi um novo comentário, desta vez da Maria, partilhando uma receita, de forma que quem não possua a massa “de base” possa dar início a uma corrente de partilha também.

O folar e a estreia no Dia um… Na cozinha

Quando criei este cantinho da Carolina Caseirinha a Raquel do Amor às Camadas convidou-me para fazer parte de dois ou três grupos no Facebook, sendo um deles o Diz um… Na Cozinha. Neste grupo é lançado, todos os meses, um tema com o qual deverá ser publicada uma receita sempre, e apenas, no dia 1.  E para o dia 1 do mês de Abril o tema é: o folar.

Segundo o texto que introduz este desafio: “Reza a lenda que, algures em Portugal, vivia Mariana, moça cuja única aspiração era casar. Com as suas rezas a Santa Catarina logo lhe acudiram dois pretendentes: um jovem fidalgo e um pobre lavrador. Depois do auxílio divino, Mariana escolheu o pobre lavrador.
Na véspera do Domingo de Páscoa, porém, orava ainda atormentada com a ideia de que o fidalgo apareceria no dia do matrimónio para executar o seu noivo e por isso, no dia de Páscoa, levou uma coroa de flores ao altar de Santa Catarina pedindo clemência. Chegada a casa tinha um bolo com ovos inteiros, rodeado com as flores que havia posto no altar naquela manhã. Mais tarde, descobrira que também o jovem fidalgo e o pobre lavrador o tinham recebido. Obra de Santa Catarina, segundo ela, como forma de acabar com as disputas.”

Apesar de não conhecer (até agora) a lenda associada a este bolo, fazer um folar nos dias antecedentes à Páscoa é quase como uma tradição lá em casa. Sei que os folares variam variam muito consoante a região do país, mas a nossa tradição tem origem numa receita de uma revista Teleculinária um tanto, ou quanto, antiga, sem enchidos ou fios de ovos e que, ao sair do forno, deixa um aroma muito agradável a canela e erva doce na cozinha.

*fotografia tirada na Páscoa de 2014

Este ano, o folar saiu com um aspecto pouco típico de folar, porque depois de levedar tentei mexer o mínimo possível. Coitadinho, depois dos comentários na hora do café e de ver as fotografias que já têm sido publicadas no grupo até fiquei com pena do meu pobre e coitado folar. Ainda assim, apesar do aspecto, e aplicando a expressão “não julgar um livro pela capa”, desta vez ficou com uma camada mais crocante por fora por não o ter amassado depois de levedar, o que deixou todos surpreendidos (pela positiva! claro).

500 g de farinha
30 g de fermento de padeiro (usei uma saqueta de fermento de pão e mais um pouco de fermento para bolos)
1/2 dl de leite morno
1 pitada de sal
100 g de açúcar
1 colher de café de erva doce
1 colher de café de canela
75 g de margarina
2 ovos
raspa de 1 laranja
1/2 cálice de brandy
1 ovo cozido

Numa tigela misturei a farinha o fermento e o leite, o sal, o açúcar, a canela e a erva doce. Juntei a margarina, os ovos, a raspa da laranja e o brandy. Depois de amassar bem, formei uma bola, coloquei um pano por cima da tigela e deixei repousar durante uma hora, para que a massa levedasse.
Passado este tempo, passei a massa num tabuleiro (com o papel “vegetal” reutilizável), coloquei o ovo cozinho no centro desta e por cima duas tiras de massa, em forma de cruz, e levei ao forno durante cerca de 40 minutos.

Ah! Quase que me ia esquecendo. Antes de colocar o ovo cozido fiz uma cruz pressionando a mão na massa dizendo “Deus te acrescente, que é para muita gente”, tal como a minha mãe fazia desde que me lembro e que, de certa forma, já faz parte desta nossa tradição.