Como aproveitar claras: duas tentativas falhadas e um lanche reconfortante

Não é muito frequente fazer receitas em que sobrem as claras dos ovos, mas de vez em quando acontece, como aconteceu quando fiz o tiramisú. Como eram só 3, e não iria fazer mais outra sobremesa nesse dia, coloquei-as numa caixa e guardei no congelador. No Sábado passado como tinha mais claras, que também tinham sobrado à minha irmã, planeei fazer suspiros e farófias. Correcção: com uma parte das claras planeei fazer suspiros e a outra parte daria a minha mãe para fazer farófias (já que as minhas ficam sempre mirradas).

Ora, os meus suspiros nunca ficam a 100%: a camada exterior fica idêntica ao suspiro convencional mas por dentro fica sempre tipo pastilha. Lá em casa até gostam assim, mas a intenção é sempre que saiam suspiros “como deve ser”.

Um dia, em conversa, a prima Raquel (cujos suspiros são muito gabados e têm sempre óptimo aspecto) disse-me que necessitava de baixar mais a temperatura do forno de forma a cozerem lentamente para não ficarem pastilha. Então no Sábado pensei “vai ser desta!”.

Bati as claras em castelo, juntei limão, um pouquinho de amêndoa torrada picada e antes de adicionar o açúcar pensei que podia fazer uma experiência substituindo o açúcar por mel. Mas, não fosse a experiência correr mal, fiz esta substituição numa tigela a parte e com apenas uma parte do preparado. Coloquei ambas as misturas (a do mel e a do açúcar) nas respectivas forminhas de papel e, com um óptimo aspecto e super confiante, coloquei no forno a 50ºC.

E passaram 2 horas. Já tinham “ar” de suspiros mas ainda estavam a crescer, excepto os de mel que pareciam estar a encolher. Como tinha que sair de casa uma hora depois, elevei a temperatura do forno para os 100ºC.

Entretanto achei que as claras que, supostamente, seriam para as farófias eram poucas e por isso fiz para o lanche dessa tarde uma espécie de omelete com cogumelos e courgette.

Faltavam 20 minutos para sair de casa. Os suspiros convencionais tinham rachado e começava agora a borbulhar o seu interior para o lado de fora, enquanto que os de mel estavam mais mirrados que nunca. E aí cometi o maior erro: aumentei novamente a temperatura, para cerca de 180ºC e ausentei-me por (literalmente) menos de 5 minutos.

Quando voltei cheirava a caramelo na cozinha e os suspiros convencionais tinham uma tonalidade (chamemos-lhe) acastanhada. E foi aí que pensei “Bolas!” seguido de um “ainda não foi desta!”.

Resumindo: Isto nem sempre corre bem, mas alguma coisa fica destes tremendos desastres.
1 – A omelete ficou mesmo boa e super reconfortante para uma tarde de Sábado chuvosa.
2 – Os suspiros de mel foram um desastre. Ficou uma espécie de pastilha de merengue e amêndoas, com o mel agarrado ao fundo de papel das formas, devido à diferença de densidades (penso).
3 – Os suspiros convencionais foram um desastre menor. Por fora ficaram com uma carapaça claramente de suspiro e por dentro um merengue meio caramelizado ao ponto de, por vezes, colar aos dentes. Acho que será esse o motivo da cor, pois ninguém se queixou de estarem queimados. Aliás, hoje já não sobra nenhum para “contar a história”.

Conclusão: Foi um sinal evidente que devo deixar de fazer suspiros…. Ainda para mais, eu nem sequer gosto de suspiros!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s