A Charlotte

Já passou uma semana mas não cheguei a falar sobre tudo o que saiu da cozinha no Domingo dos scones. Aliás ainda antes dos scones, depois do café no ponto central da aldeia e antes do almoço, houve tempo para fazer uma Charlotte de Ananás (não sei se lhe poderei chamar no feminino, mas soa-me bem).

Bem no início de Julho celebrei o meu 24º aniversário e nesse dia o Marco e a Raquel expandiram a minha biblioteca culinária com o “Culinarium” da Vaqueiro e o “Jamie Oliver Regressa à Cozinha”. Nessa semana, comecei por folhear o Culinarium, para ter uma noção do que poderia fazer nos próximos tempos, e este acabou por ser a minha “leitura” antes de adormecer.

IMG_20140703_231133

Gostei particularmente das curiosidades e “pedaços de história” que aparecem na maioria das receitas. Foi assim que, no Domingo, aprendi a diferença entre palitos de champanhe e palitos à la reine: os primeiros são mais rijos, estreitos e cobertos de açúcar granulado, enquanto que os outros são mais moles, cobertos com açúcar em pó.

E não, os palitos de champanhe não são feitos com champanhe. De acordo com a nota no Culinaruim, o nome poderá remeter para a sugestão de degustação, uma vez que na realidade não possuem champanhe na sua composição.

A Charlotte, com os seus pedaços de Ananás no interior, soube maravilhosamente depois de jantar e de um dia tão quente como o de Domingo (à 8 dias atrás), só não ficou uma Charlotte muito fotogénica. De qualquer forma é sempre digna de registo.

DSCF6228

6 folhas de gelatina incolor
1 lata grande de ananás em rodelas
200g de palitos de champanhe (para a forma que usei acabei por utilizar um cerca de 300g)
4 ovos
100g de açúcar
4 dl de natas

Colocar as folhas de gelatina de molho em água fria. Escorrer as rodelas de ananás e cortar em pedaços. Com a calda do ananás reservar 1dl, para derreter as folhas de gelatina já escorridas, e embeber os palitos de champanhe na restante calda. Forrar com os palitos as paredes e o fundo de uma forma de mola.
Numa tigela, bater as gemas e o açúcar, juntar as natas batidas em chantilly, o ananás picado e a gelatina derretida na calda do ananás. Depois de incorporar as claras batidas em castelo na mistura, colocar na forma e levar ao frio durante 6 horas, ou até prender.

DSCF6232

Adaptar receitas

Mais uma semana de ausência. Entre uma grande necessidade de descansar e uma enorme vontade de não fazer nada acabei por não ter grandes novidades para vos trazer.
Por isso, e para me redimir, este fim de semana tive que combater o “dark side” da força e lá tive que me mexer.

Quando o Alexandre se baptizou, a Filipa (mãe do pequeno) emprestou-me o livro “Cozinha para quem não tem tempo” da Mafalda Pinto Leite e ficou prometido que faria pelo menos uma das receitas.

Desde então já o tinha folheado por algumas ocasiões mas nunca encontrava o que me apetecia fazer ou comer no momento. No Domingo passado apeteceu-me qualquer coisa para lanchar que não fosse o habitual pão caseiro ou os cereais com leite, mas que desse também para reservar e comer nos pequenos almoços seguintes.

Acabei por fazer a receita de scones da página 201, com algumas alterações. Geralmente se adapto uma receita (o que acontece com alguma frequência) é porque os ingredientes necessários não são muito comuns lá por casa ou porque apenas precisava de uma inspiração para usar o que já existe na despensa, mas desta vez foi exactamente o contrário. Para não serem simplesmente scones, apeteceu-me dar-lhes um pequeno toque. E foi assim que os scones da página 201 passara a ser os scones com sementes de linhaça e baunilha:

3 chávenas de farinha (a receita original diz 2, mas a meio acabei por necessitar de um pouco mais)
6 colheres de sopa de açúcar
6 colheres de sopa de manteiga
1 pitada de sal fino
1/2 colher de sopa de fermento (utilizei 1 saqueta de fermento de padeiro)
2 ovos
1/3 de chávena de natas
sementes de linhaça
extracto de baunilha (caseirinho que a Raquel e o Marco me ofereceram no Natal)

IMG_20140713_163709

Numa tigela misturei a farinha, o açúcar, o fermento, o sal, as sementes e depois a manteiga cortada em pedacinho pequenos. À parte bati os ovos com as natas e juntei à mistura da farinha, mexendo com um garfo até ficar quase numa bola. Nesta altura passei a massa da tigela para para a bancada (que já tinha polvilhado com farinha) a acabei amassá-la.

Estiquei a massa até ficar com uma forma meio cilíndrica, cortei em pedaços mais pequenos, fiz 2 golpes em cada pedaço e levei ao forno (pré-aquecido) num tabuleiro forrado com o papel vegetal (lavável e reutilizável) durante 15 a 20 minutos.

IMG_20140713_164812

Os golpes que fiz com a faca nada têm a ver com os tradicionais scones, mas facilitaram-me muito a tarefa de colocar manteiga enquanto ainda estavam quentes. Os que sobraram, congelei-os depois de arrefecerem todos os dias, enquanto preparo o café da manhã descongelo 2 ou 3 no microondas e parecem acabadinhos de sair do forno.

IMG_20140713_182024