O caldo de legumes

Muita coisa tem acontecido nas últimas semanas e tenho andado tão envolvida que não me tem sobrado muito tempo para escrever. Passou o Natal (e ainda nem partilhei convosco as prendas caseiras deste ano), comecei um novo emprego e a barafunda instalou-se por completo com as pequenas obras de remodelação em casa. Agora, imaginem tudo isto em simultâneo.

Terminar prendas caseiras, nova rotina, novos horários, transportar coisas de um lado da casa para o outro para se iniciarem as pinturas, limpar as divisões já pintadas e voltar a colocar tudo no mesmo sítio, vazar as divisões seguintes para serem pintadas e nos entretantos lixar e envernizar portadas, ver mosaicos, lavatórios, torneiras, mobílias e mais um sem fim de coisas que fazem parte quando começamos a “orientar a nossa vida”. E para segundo plano vão ficando as caseirísses.

No meio de todo este corrupio consegui experimentar o caldo de legumes caseiro com base na receita/dica da Joana Roque da economia cá de casa, que considero uma excelente forma de aproveitamento ao máximo dos legumes que consumimos no dia a dia.

Nas semanas anteriores fui reservando num saco fechado, no congelador, cascas de cebola, casca da cenoura, os talos dos brócolos e da couve flor.

Na semana passada coloquei tudo numa panela com água, deixei cozinhar por uns minutos e, depois de arrefecer, coei o líquido para as cuvetes de fazer cubos de gelo (usei também umas caixas de iogurte que tinha guardadas para fazer umas doses de caldo de legumes maiores).

Por fim, guardei no congelador e ao fim de umas horas, quando solidificou, retirei os cubos das cuvetes e guardei num saco.

Assim, sempre que precisar de usar caldo de legumes na confecção das refeições tenho esta opção mais simples, natural e pronta a usar.

É tempo de vindima, mas por aqui come-se maçã riscadinha

A semana começou com novos pequenos-almoços.

Há 3 ou 4 semanas o Hugo trouxe-me uma caixa a transbordar de enormes e deliciosas maçãs riscadinhas das suas “maçaneiras” (como se diz lá na terra dele). E digo enormes porque as maçãs desta qualidade, que comia até então, eram metade do tamanho destas. Estas têm-se conservado bem no frigorífico e aos poucos, marmita a marmita, a quantidade vai diminuindo.

Com tantas maçãs fiz uma tarte (a receita da Raquel, que já tinha partilhado aqui) e, como ainda tinha uma dúzia delas, decidi experimentar fazer pão de maçã riscadinha. Na realidade fiz pãezinhos de maçã riscadinha, assim congelei todos já depois de cozidos e de manhã apenas descongelo os que vou consumir ao pequeno-almoço, ficando os pãezinhos sempre fofos.

500 g de farinha
1 saqueta de fermento de padeiro
1 colher de chá de canela
1 colher de chá de erva doce
1 colher de sopa de mel
Sal q. b.
300 ml de água
1 maçã riscadinha (que equivale a 2 de tamanho normal)

Numa tigela misturei a farinha, o fermento, a canela, a erva doce e o sal. Em seguida juntei a água, o mel e amassei.

Quando todos os ingredientes ficaram bem ligados, juntei a maçã cortada de forma a que alguns pedaços não ficassem completamente cobertos de massa (para depois saborear melhor a maçã assada), formei pequenas bolas e deixei repousar para a massa levedar.

Por fim, coloquei em pequenas formas e levei ao forno, pré-aquecido a 175ºC, durante cerca de 15 a 20 minutos.

It’s getting hot in here, so hot, so eat up all you soup

Ainda sobre o Verão e os dias quentes (e fazendo um trocadilho com a música do Nelly), hoje falo de sopa. Sopa para dias quentes. E sopa para dias quentes é sopa fria.

Já contei aqui que a forma como “aprendi” a comer brócolos foi através da sopa (ao ponto de agora conseguir come-los simplesmente salteados) e, por esta lógica, pode ser que um dia aconteça o mesmo com o pepino. Este é um legume bastante rico em água, minerais, antioxidantes, entre outras coisas, e que, apesar disso tudo, não gosto do seu sabor.

Consigo consumir se estiver disfarçado, como por exemplo no sumo de beterraba, mas isolado numa salada não consigo.

A outra forma que tenho de disfarçar o sabor do pepino é na sopa fria de tomate (tipo gaspacho), que é deliciosa e uma boa opção para esta estação do ano.

Desta vez, e como partilhei no fim de semana passado numa story no Instagram, aproveitei para estrear a panela de pressão da Silampos que recebi no Natal. A princípio confesso que estava um pouco ansiosa e li o livrinho de instruções de uma ponta a outra, mas rapidamente percebi que a panela tem um sistema muito simples e vários sistemas de segurança. E assim, o que seria um tempo de cozedura de 40 minutos, passou a 15 minutos.

600 g de tomate
1 pepino
1 cebola grande
2 dentes de alho
2 L de água
0,5 dl de azeite
Sal e pimenta q.b.
Oregãos q.b.
1 queijo fresco

Na panela de pressão coloquei a água, os tomates sem pele, o pepino, a cebola e os alhos em pedaços, temperando com sal, pimenta e oregãos a gosto.

Levei ao lume, depois de fechar a panela com as devidas seguranças, esperei que começasse a sair vapor pela válvula de segurança e contei 15 minutos, apagando em seguida.

Depois da pressão no interior da panela ter diminuído e de ter arrefecido um pouco, destapei-a e com a varinha mágica triturei tudo, juntando o queijo fresco e triturando novamente.

Olhóóóóó gelado fresquinho!

Entre alertas da proteção civil e músicas mais ao estilo popular (como a da Maria Leal), parece que chegaram aquelas temperaturas cujas máximas atingem valores mais altos do que muitos de nós conseguimos tolerar. Pelo menos quanto a mim falo, já que a minha tensão baixa por vezes “troca-me as voltas” e apodera-se de mim uma tremenda falta de ação facilmente confundida por preguiça.

Na verdade, desde que descobri que tinha tensão baixa fui-me adaptando e aprendendo alguns truques para tornar o meu dia-a-dia mais fácil, coisas tão simples como não sair de casa sem antes beber um café.

Outro truque (talvez muito óbvio) é o consumo de gelados. Estes sabem sempre bem quando o calor aperta, mas naqueles dias mesmo quentes, como o de hoje e os próximos, os que mais aprecio e mais me refrescam (diminuindo a inércia que se apodera de mim por intermédio do calor e da tensão baixa) são os de gelo. E porque na minha terra já não há muitos cafés que os vendam, tenho sempre alguns no congelador de casa.

Ora, na semana passada a minha sobrinha viu-me a comer um desses gelados e pediu-me para provar. E mais uma vez… E outra… E só uma vez mais. No fim de todos aqueles “só mais um bocadinho”, prometi-lhe que lhe faria um gelado daqueles só para ela com a fruta que ela mais gostasse (pareceu-me uma opção mais saudável assim), ao que ela pediu que fosse de cereja, morango ou de melancia. E como não tinha nem morangos, nem cerejas, lá teve de ser de melancia.

Tão rápido e simples como: cortar duas fatias de melancia, tirar a casca e as sementes, triturar no liquidificador, colocar nas formas de gelado (que facilmente se encontram em lojas do tipo IKEA, Espaço Casa e por vezes no Lidl) e colocar no congelador para que solidifiquem. Sendo a melancia uma fruta com muita água, não foi preciso adicionar mais nada.

Et voilà! Geladinhos caseirinhos e naturais para refrescar estes dias que prometem ser bem quentes e que a minha sobrinha adorou.

Home Sweet Home

Lembram-se da régua de crescimento que ofereci à minha sobrinha pela Páscoa? Nessa altura aperfeiçoei a técnica de pintura com palitos e se estivesse num jogo de computador, nesta altura teria mais um ponto na skill de precisão e outro na de paciência. Pois este fim de semana voltei aos pincéis e palitos.

A Verónica vai casar e como complemento à prenda de casamento, que seguia num envelope acompanhada com o habitual cartão personalizado e feito por mim, eu e o Hugo oferecemos também uma pequena placa de madeira com a frase “home sweet home” (em português, lar doce lar), tratada e pintada por mim e com acabamentos idealizados pelo Hugo (há que dar o devido mérito à ideia da fitinha verde que faz toda a diferença como pormenor de contraste e acabamento).


Entretanto, já estou a acabar as minhas limpezas de Verão deste ano e, enquanto limpava o quarto, apercebi-me que ainda não tinha publicado aqui (apenas partilhei no Instagram) a mais recente “peça” arrumação de fios e colares que construí aproveitando uma garrafa de vidro de Gin Bombay Sapphire e meia dúzia de galhos.

As férias, o cabide e o soufllé de atum

Estou de volta! De volta a casa, de volta ao trabalho, de volta às caseirísses de trabalhos manuais. Fui uns dias de férias para o maravilhoso sossego daquele pedaço de terra pitoresco e bem acolhedor chamado Zambujeira do Mar. Deu para apanhar frio, chuviscos, sol, “fazer praia”, acordar sem despertadores, tomar o pequeno almoço na rua com pãozinho quente que todas as manhãs nos deixavam à porta, conhecer um pouco da Costa Vicentina e sobretudo para descansar, recarregar baterias e “não mexer uma palha” quanto baste.

E digo quanto baste, porque ainda não tinha acabado a semana e já me encontrava em casa, com as mãos postas em mais um projeto caseirinho, que há muito queria e precisava fazer, um cabide para colocar na parede junto à entrada.

Mais uma vez inspirei-me no Pinterest e, umas pinceladas de vieux-chêne, umas pinceladas de verniz mate e uns furos depois, fiquei com menos dois pregos vazios na parede (porque no mesmo local, há 5 anos, esteve pendurado um outro cabide). Tão simples como uma tábua e seis puxadores.



No mesmo dia, começava às 19 horas o jogo Portugal-Espanha, que foi acompanhado com um pão de alho nada caseiro e, em seguida, com um soufllé de atum cuja receita nunca tinha experimentado. Sobre o soufflé: gostei, mas estava à espera que ficasse mais fofo. Nunca comi um soufllé, mas a ideia que tinha era que se assemelhasse um pouco a farófias, em termos de “leveza”, contudo a textura deste lembrava-me a tortilha de bacalhau que a minha mãe costumava fazer. Conclusão, hei-de repetir, cortando na quantidade de farinha para não ficar tão maçudo. Para já fica a receita original, do livro “Portugal connosco, receitas ao balcão”.

Ingredientes:
4 ovos
100 g de margarina
150 g de farinha (quantidade a reduzir da próxima vez)
2 latas de atum
2,5 dl de leite frio
1 colher de sopa de queijo ralado
Sal q.b.
Pimenta q.b.
Nós moscada q.b.
Queijo ralado q.b.

Separei as gemas das claras e reservei.

Numa panela em lume brando, derreti a margarina e juntei a farinha, misturando até ficar uniforme e retirei do lume.

Enquanto arrefecia um pouco, bati as claras em castelo.

Depois adicionei à margarina e farinha as gemas, o atum bem escorrido e desfiado, o leite, o queijo ralado e temperei com sal, pimenta e nós moscada.

Por fim envolvi as claras em castelo, coloquei num recipiente alto e apto para ir ao forno, cobri com queijo ralado e coloquei no forno, pré aquecido a 200ºC, durante 25 a 30 minutos.

E em menos de nada, já são 4 anos

20 de Maio de 2014. Faz precisamente hoje 4 anos que me lancei nesta aventura de partilha caseirinha. E 4 anos passados, achei que estava na altura de dar uma nova “pintura” a este cantinho. Hoje, e para assinalar o dia, começo pela página de Facebook.

A imagem de “apresentação” já há alguns meses que estava preparada, enquanto a foto de capa só nestes últimos dias é que a acabei. E como nas últimas semanas a gestão do meu tempo tem sido um pouco complexa, tive de deixar tudo preparado já que estaria desligada das redes socias durante grande parte do fim de semana.

E brevemente a “renovação” deste cantinho chegará também ao blog. Isso e novas caseirísses.

Resta-me agradecer o vosso tempo, apoio e feedback, caseirísse após caseirísse.