Ocupando os pregos vazios

A parede do cantinho dos trabalhos caseirinhos cresceu. Quer dizer, a parede em si tem o mesmo tamanho, o correto seria dizer que o número de pregos vazios diminuiu. Estou a referir-me, portanto, à parede inspiracional (motivational wall) que comecei no ano passado pelo aniversário do blog (como contei aqui).

Dessa data até agora fui pondo de parte as molduras que já não usava e sempre que ia a alguma casa de decoração e “utensílios para a casa” (neste caso sempre que ia à una loja Deborla, loja Viva ou Ikea) passava sempre na secção das molduras, onde acabei por adquirir algumas a um bom preço ou em promoção.

Quanto às frases (que, carregando nas imagens, abrem em tamanho maior), grande parte já as tinha guardado de sugestões anteriores que me apareceram nos feeds do Pinterest e as restantes foram partilhadas comigo por amigos (como é o caso de um dos manifestos) ou procurei propositadamente para o “repovoamento” da parede. O critério de selecção foi muito simples: fazem parte da parede frases (ou textos) que, de tempo a tempo, são importantes lembrar (aquela pep talk mental, de nós para nós), frases que gosto e com as quais me identifico, havendo sempre espaço para algum sentido de humor, claro.

Umas utilizei tal e qual como as encontrei, outras, que tinham texto preto em fundo branco ou eram textos simples corridos, dei-lhes um pequeno tratamento gráfico tão simples como colocar um padrão no fundo e jogar com as cores e os tipos de letra.

Era um trabalho muito simples, sendo que o maior desafio foi, sem dúvida, tentar não resvalar para um estilo “frases inspiradoras de Facebook com pôr do sol atrás”, como diria o Nuno Markl. Acho que, até ao momento, estou a ser bem-sucedida.

Finalmente, a parede já se encontra mais composta, mas ainda há pregos vazios. Por isso, mal haja uma nova adição partilharei convosco.

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Uma festa gelada para terminar o ano

31 de Dezembro. Celebrações de fim de ano por toda a parte e faz 3 anos que, além de celebrar a entrada no novo ano acompanhada de familiares ou amigos, celebro também o aniversário da minha sobrinha. No dia a festa é sempre feita com os familiares mais diretos/próximos (já que a família é relativamente grande).

Este ano, ao contrário dos anteriores em que apenas houve uns chapéus dos Amigos do Panda (no primeiro aniversário) e um bolo da Kelly do Oeste (no segundo aniversário), houve um tema para a festa, o filme Frozen, e por isso houve algumas decorações, doces e petiscos a condizer.

Haviam enfeites e consumíveis “de compra” prontos a usar como copos, pratos, guardanapos e a toalha com desenhos da Anna e da Elsa, “puffs” de papel de seda branco, balões azuis e brancos, grinaldas com borboletas azuis, entre outros, e depois haviam os enfeites caseirinhos.

Na parede, onde estavam as mesas com os doces e salgados, colocámos uma faixa de papel de seda azul com flocos de neve confecionados com folhas brancas de papel e com umas imagens da Anna e da Elsa feitas com os saquinhos de formato triangular que se costumam usar para encher com guloseimas para oferecer. Na toalha de plástico de cor azul, sobrepusemos umas toalhas de papel branco, onde recortámos o rebordo de forma a assemelhar-se a estalactites de gelo.

Nos doces e salgados, os pratos habituais que costumamos fazer para as festas e os que alguns familiares trouxeram foram decorados com algumas imagens das personagens do filme.

Além destes havia ainda:

– Patê de delicias do mar em forma de boneco de neve;
– Olafs de brigadeiro de chocolate branco;
– Estalactites de gelo feitas com grissinis cobertos de chocolate branco e côco ralado ou com pepitas coloridas;
– Bonecos de neve de pipocas com açúcar caramelizado.

Por fim, o bolo de aniversário (não caseirinho), com uma imagem da Elsa, chegou até à mesa acompanhado da música “Já passou” na altura de cantar os parabéns.

Apesar de um tema bem gelado, foi uma tarde repleta de brincadeiras, muita dança e de convívio familiar. E quando questionada, pela minha mãe, sobre se tinha gostado da festa, a minha sobrinha respondeu que tinha gostado muito. Que gostou de dançar e de comer Olafs de pipoca com o tio João.

E no dia seis celebramos os reis com as prendas para o menino…

Como vem sendo habitual, não foram só as decorações de Natal que foram caseirinhas. Este ano (ou, mais corretamente, no ano que passou), apesar de ser em menor número que no ano anterior, algumas das prendas que ofereci foram caseirinhas.

No início do mês de Dezembro fiz uns pequenos testes que dei a provar, a uma ou outra pessoa, para não correr o risco chegar aos dias que antecedem o Natal e ficar sem prendas para oferecer porque aquilo que tinha idealizado não estaria a correr da forma como seria suposto.

Assim, depois de ter os testes aprovados, fiz chocolates brancos e negro, com sementes de abóbora, sementes de girassol, amêndoas, coco ralado, bolinhas coloridas e amendoins.



Fiz também gomas de vinho com vinho branco Lezíria e tinto da Adega de Pegões, sendo que esta era a prenda que, no início, tinha mais incerteza se o resultado final seria algo apresentável e, sobretudo, comestível. E sim, esta talvez tenha sido a prenda “uau” deste ano, competindo assim com as canecas e os cocós de rena e dos anos anteriores.


Este ano houve novamente caracóis de Inverno que, apesar de não serem uma novidade por aqui, aproveito agora para partilhar a receita, até porque quando precisei dela no dia 24 já nem me lembrava onde a tinha ido buscar inicialmente.

500g de farinha
240g de manteiga
300g de açúcar
2 ovos
20g de chocolate em pó
2 colheres de chá de extrato de baunilha

Numa tigela misturei a farinha, o açúcar, os ovos e a manteiga aos poucos, amassando bem até a massa estar bem ligada.

Dividi a massa em duas partes iguais, numa misturei o chocolate em pó e, na outra, o extrato de baunilha, fazendo duas bolas de massa, as quais envolvi em película aderente e deixei repousar no frigorífico por uma hora.

Passada essa hora, estendi as duas massas, formando um retângulo com cada, coloquei uma por cima da outra e, do lado mais comprido, comecei a enrolar como se de uma torta se tratasse.
Por fim, cortei em rodelas com cerca de 1 cm de largura e dispus num tabuleiro com papel vegetal reutilizável, levando ao forno (pré aquecido) a 180ºC, durante cerca de 15 minutos.

(Devem estar a reconhecer a fotografia, pois já foi publicada aqui da primeira vez que fiz os Caracóis de Inverno. Com a azáfama do momento, esqueci-me de tirar fotografias aos deste ano.)

Todas as prendas caseirinhas mereceram etiquetas caseirinhas condizentes, sendo que no próximo Natal todas as prendas levarão etiquetas caseirinhas (ou outras que encontrei pelo Pinterest), pois o stock quase interminável de etiquetas que tenho desde os anos 90 parece estar finalmente a chegar ao fim.

As decorações de Natal do ano que já passou

A primeira publicação de 2018 é ainda sobre 2017. Tão típico. Por aqui já quase é tradição falar sobre as caseirísses de Natal nos primeiros dias de 2017.

Este ano, fui partilhando, durante o mês de Dezembro, no Instagram e no Facebook algumas das decorações e outros “símbolos” desta quadra, como o presépio e a coroa de Advento.

O presépio foi um pouco mais pequeno que o habitual, pois, como choveu pouco antes de Dezembro, não havia muito musgo.

A árvore de Natal acolheu mais umas decorações de massa branca, idênticas às que já tinha feito no ano passado, que só tinha conseguido terminar por estes dias. Ainda assim, não foi desta vez que recebeu a sua estrela (ou outro adereço, mas muito provavelmente será uma estrela) para decorar o topo.

A decoração sazonal da mesa junto da entrada mudou, pela primeira vez, para a estação de Inverno logo no início do mês de Dezembro (apesar de só termos transitado oficialmente para o Inverno alguns dias depois).

E a novidade deste ano foi, sem dúvida, a coroa do advento. Já tinha feito uma há alguns anos com umas velas pequenas, tipo tealights, mas nem me recordo se cheguei a acender todos os Domingos do Advento (shame! Eu sei…). Por isso este ano, com materiais que já tinha em casa (um prato de bolos de pé que era dos meus avós, quatro velas e algumas fitas e bolas de natal antigas que ultimamente não tinham grande uso), fiz a minha primeira coroa do advento, nada convencional e super colorida, que, ao longo dos quatro Domingos que antecederam o Natal, fui acendendo vela a vela, acompanhando assim alguns momentos caseirinhos mais rotineiros, como a confecção dos scones para os pequenos almoços da semana.

Não relacionado com o Natal, mas sobre a lista de coisas a fazer com tempo (e que estava mesmo, mesmo, a precisar de ser feito), aproveitei a manhã solarenga e bem seca do primeiro Sábado de Dezembro para limpar, lixar e pintar os ferros do estendal da varanda, antes que chegassem as chuvas que tanto precisamos.

As decorações de Natal na Lima Fortuna

Novembro. O mês em que fazer decorações de Natal é ridiculamente cedo, a não ser que se trate de um estabelecimento comercial. Na minha casa a tradição é começar as decorações a partir do dia 1 de Dezembro, contudo a tradição fora de casa é participar nas decorações de natal da Adega Lima Fortuna, em Novembro, logo após a festa da aldeia, a Festa de Todos os Santos.

Claro que, quando menciono isto, surge sempre alguém que diz que em Novembro é demasiado cedo para decorações de Natal, sobretudo este ano, que no final do mês de Outubro ainda fazia um calor tremendo. Nessa ocasião lembro que, até há uns poucos, várias superfícies comerciais começavam as suas campanhas e decorações de Natal em Outubro. Sim, Outubro, o mês que este ano podia perfeitamente pertencer ao Verão.

Actualmente só não o fazem porque, enquanto país muito hospitaleiro e que sabe bem acolher todos os estrangeiros e seus estrangeirismos, abraçamos mais uma data comemorativa tão tipicamente “não-nossa”: o Halloween/Dia das Bruxas; e assim as decorações de Natal nestas grandes superfícies só começam, efectivamente, em Novembro.

Mas voltemos a este grande evento anual que são as decorações na Lima Fortuna. Todos os anos a Sofia, o Tiago, o Miguel e eu juntamo-nos nos primeiros dias de Novembro para algumas das decorações: montar e decorar a árvore de Natal, colocar as verduras com bolas douradas sobre os móveis e sob a estátua do monge, colocar as luzes e a coroa na janela da loja, etc.

Este ano a Sofia quis experimentar pequenas alterações, que acabaram por resultar em algumas decorações novas, parte delas upcycled e caseirinhas/DIY. Depois de nos termos juntado para debatermos algumas ideias e execuções, passamos à parte prática.

Limpámos e pintámos de branco algumas bolas douradas usadas nos anos anteriores (aquelas que já apresentavam alguns danos na pintura), pintámos-lhes pequenos círculos dourados e com um pouco de cordel fizemos um novo topo para as pendurar na árvore.

Também para pendurar na árvore colocamos brilhantes dourados no exterior de algumas miniaturas de garrafas antigas de Arrabidine (o licor principal da Lima Fortuna) e enchemos alguns tubos de licor (dos que estão actualmente disponíveis para venda na loja) com pedrinhas em tom de cobre e colocamos mensagens de natal em várias línguas.


Outras duas novidades foram os laços vermelhos e a verdura nas três portas na fachada do edifício, bem como o arranjo do carrinho de mão na entrada, onde, se olharmos com atenção e alguma imaginação, podemos ver uma rena Rudolfo de nariz encarnado.


Até dia 24 de Dezembro certamente que mais pormenores e outras peças ou decorações surgirão. Até lá, aconselho que visitem o espaço para poderem ver pessoalmente, e mais de perto, o resultado final destes trabalhos ou para beber um licor característico da região.

A caixa Vida e Fortuna

Das coisas caseirinhas que fiz nos últimos anos, e que ainda não tinha partilhado aqui, há uma com algumas memórias muito especiais. A caixa de transporte de bebidas Vida & Fortuna.

Durante muitos anos serviu de caixa de ferramentas do meu avô e foi esta a utilidade que ela teve durante a minha infância, até há 4/5 anos quando a transformei num pequeno espaço de arrumação de DVDs e que agora se encontra junto da mesa de paletes.

Em décadas passadas, um dos irmãos do meu avô tinha uma fábrica de refrigerantes de nome Vida & Fortuna e, na época, o transporte das garrafas de vidro era feito em caixas de madeira. Quando comecei a organizar as fotografias antigas do meu avô (trabalho este que ainda não acabei, não por serem muitas, mas porque nunca mais me dediquei a ele) descobri uma fotografia onde aparece a minha avó (a segunda senhora na fotografia) a trabalhar na zona de lavagem de garrafas.

Por todas estas memórias, e por outras mais, que cabem dentro daquela caixa, tive de resgatá-la quando o destino certo era a lareira.



Nessa altura estava muito atacada pelo bicho da madeira e suja de tinta. Por isso, no Verão de 2013, limpei-a com uma escova e depois a lixa (de forma um pouco mais firme na zona onde estava manchada da tinta) e pincelei um produto para matar o bicho da madeira (o mesmo que tinha colocado nos barris do meu avô). Por fim, apliquei-lhe um verniz.

Agora a caixa que transportou garrafas e guardou martelos, maços, serras e serrotes e imensos pregos soltos, ergue-se na minha sala como arrumação dos DVDs.

O pequeno upgrade da cozinha

Depois da última publicação estive em obras na cozinha (e depois disto fui de férias, daí a tremenda ausência). Pequenas remodelações ou adaptações que agora a tornam mais prática. Andei a fazer contas e já vão para 4 anos que vivo sozinha, ou seja, são 4 anos com o fio do esquentador pendurado. Shame! (como diria a senhora de Game of Thrones).

Passo a explicar. Há 4 anos, comprei o meu esquentador, o armário onde este seria instalado (e onde esteve instalado o esquentador anterior) não estava preparado para receber um com sistema de ventilação e por isso não possuía uma tomada. Na altura, liguei-o à tomada mais próxima, situada a meio do balcão da cozinha, servindo de solução (supostamente) temporária. O tempo passou e a solução “temporária” permaneceu durante os 4 anos que referi.

Outra coisa que queria mexer na cozinha era a iluminação artificial. Até ao momento tinha apenas um candeeiro simples com duas lâmpadas fluorescentes tubulares no centro do tecto da cozinha. Isto significa que, de noite, sempre que lavava a loiça no lavatório, ou preparava alguma coisa no balcão eu própria fazia sombra ao local/plano de trabalho.

Assim, este ano verão, ainda antes das férias e como prenda de anirversário, tornei a minha cozinha um pouco mais funcional, escondendo o fio do esquentador, instalando uma luminária led sobre o balcão onde faço a preparação da comida e instalando um candeeiro led para iluminar o lava-loiças, acabando por libertar a tomada onde anteriormente ligava o esquentador.

(a cozinha antes das alterações, de dia, com a luz desligada; depois das alterações, de noite, só com os candeeiros novos ligados; depois das alterações, de noite, com todos os candeeiros ligados)

A parte eléctrica não é bem o meu forte, entendo alguns conceitos base, mas não muito mais do que isso. Por isso, como não quis arriscar rebentar com a rede eléctrica da casa, o meu pai ficou com as ligações eléctricas enquanto eu fiquei com a concepção das soluções e servi de assistente dele durante a instalação (passar alicates, chaves, direcionar a luz de apoio, posicionar o aspirador no momento de fazer furos, etc.).

A solução que aplicámos passou por instalar também uma tomada tripla (escondida) no armário do esquentador, a qual estão agora agora ligados o esquentador e os dois novos candeeiros, libertando assim a tomada do balcão e de forma a chegar facilmente ao interruptor do candeeiro de cima (interruptor este que tivemos de acrescentar, pois o que vinha de origem fica no topo do armário, junto ao candeeiro, e portanto não seria fácil de utilizar).

(antes e depois)

Assim, para alimentar a nova tomada, tivemos de colocar um cabo eléctrico (tapado com uma calha) da tomada do balcão até junto do esquentador, passado por dentro do armário. Como imediatamente acima da tomada existente tinha um suporte de papel de cozinha, retirámos um dos parafusos de fixação à parede, rodámos o suporte a 180º e furámos e colocámos o mesmo parafuso no novo local, sendo que o furo anterior ficou totalmente tapado pela calha.

Esta pequena obra de upgrade interior acabou por durar dois dias (ou duas noites, mais precisamente), pois tive de ir a “correr” ao AKI, no Retail Park em Coina (por ser a loja que fecha mais tarde aqui na zona), para comprar uma tomada nova para o balcão. A existente já estava um pouco ressequida, com os seus cerca de 20 anos, e foi-se partindo aos poucos à medida que íamos mexendo e tentado adicionar os novos fios eléctricos. Aqui é que as coisas se complicaram, uma vez que já não se encontram tomadas iguais às restantes da cozinha, mas optei por uma o mais parecida possível (a 3ª da foto).

Entretanto surgiram mais algumas ideias de pequenas alterações na cozinha, mas, para já, estas já me deixaram satisfeita.